10 mil crianças da rede municipal escrevem cartas para o Papai Noel dos Correios

Letra caprichada e desenhos para ilustrar o texto escrito com carinho e sinceridade. Foi assim que Lais Cristina Rodrigues, de 8 anos, aluna da Escola Municipal Anísio Teixeira, no Atuba, , escreveu ao Papai Noel, revelando seu desejo para o Natal. A carta é uma das 10.390 escritas por crianças da rede municipal de ensino de Curitiba por meio da campanha Papai Noel dos Correios, lançada na manhã desta sexta-feira (11). A cerimônia foi no auditório dos Correios, na Avenida João Negrão.

As cartinhas estão à espera de pessoas, empresas ou entidades que apadrinhem os sonhos dos meninos e meninas, que incluem bolas, bonecas, carrinhos, calçados, livros e centenas de outros desejos. As cartas podem ser retiradas até o dia 7 de dezembro  na Casa do Papai Noel, na Agência Central dos Correios, na Rua João Negrão, 1251, ou na agência da Rua XV de Novembro, 700.

O pedido feito por Laís vai emocionar quem ler a cartinha. A estudante, que adora cantar e participa do coral da escola, quer um violão para melhorar seu desempenho como a música. “Quero fazer as pessoas felizes com o meu canto. Ficaria contente em ganhar, mas se não for possível também pedi uma calça ou um tênis. É o Papai Noel quem vai decidir”, disse a estudante.

Laís e outros 24 colegas que participam do Coral Canta Teixeirinha, regido pela professora Milene Camargo, fizeram na cerimônia de lançamento da campanha uma apresentação que encantou a plateia formada por funcionários de empresas e instituições da cidade.

Participam da campanha crianças de 4 meses a 10 anos, que frequentam  47 unidades escolares – entre Centros Municipais  de Educação Infantil (CMEIs) e escolas municipais   –  localizadas em regiões de vulnerabilidade social. Nas escolas e nos CMEIs, a produção das cartas foi inserida no trabalho pedagógico. Para as crianças menores, por exemplo, as professoras exploraram a origem do personagem do Papai Noel e de outros símbolos natalinos.

A secretária municipal da Educação, Roberlayne Borges Robalo, destacou que a campanha promovida pelos Correios está alinhada aos princípios da equidade que regem a educação municipal de Curitiba. “Parcerias como esta nos ajudam a minimizar as desigualdades que existem dentro de uma rede que atende a 140 mil crianças e estudantes da cidade. Foi assim que trabalhamos ao longo dos últimos quatro anos, voltando nosso olhar e desenvolvendo estratégias capazes de equilibrar realidades tão desiguais”, disse Roberlayne.

A maioria das unidades que participam da campanha estão incluídas no projeto Equidade, que oferece estratégias e apoio diferenciado a um grupo de escolas da rede consideradas em situação de vulnerabilidade. “Esta campanha é uma forma de aproximar a comunidade da escola pública e de fazer com que, ao invés de simplesmente ser julgada, a escola pública seja valorizada e reconhecida como espaço democrático para a defesa do direito de todos os cidadão à aprendizagem”, disse Roberlayne.

Símbolos natalinos

Nas escolas e nos CMEIs a produção das cartas foi trabalhada estimulando outros contextos além do pedido do presente. Para escrever ou desenhar cartas, no caso das crianças menores, as professoras exploraram a origem do personagem do Papai Noel e de outros símbolos natalinos. As crianças são estimuladas a escrever uma redação, uma carta ao bom velhinho. É uma ótima oportunidade para que aprendam também a endereçar corretamente, usar o Código de Endereçamento Postal (CEP) e o selo. Antes de as crianças começarem as produções das cartinhas, representantes dos Correios oferecem material de orientação, sugerindo a forma de trabalhar o tema “Natal” com as crianças.

A Campanha de Natal dos Correios acontece em todo o Brasil e a adoção das cartas é feita da mesma maneira em todas as cidades. As cartas enviadas pelas crianças são lidas e selecionadas, e, em seguida, oferecidas para adoção dos padrinhos nas unidades da empresa. A equipe dos Correios trabalha para promover o apadrinhamento de todas as cartas.

“Quando um padrinho adota uma cartinha, tem o compromisso de disseminar o encantamento natalino e deve providenciar os presentes solicitados pelas crianças, conforme o cronograma da campanha”, diz a representante do Departamento de Relacionamento Institucional dos Correios, Alessandra Hataqueiama Ricardo.

O projeto surgiu há 27 anos, quando os carteiros não sabiam o que fazer com as centenas de cartas endereçadas ao Bom Velhinho. Sensibilizados com o conteúdo de muitas delas, alguns empregados procuravam atender aos pedidos por meio de ação solidária entre colegas. Outros envolviam também a comunidade. A quantidade de cartas enviadas ao Papai Noel crescia a cada ano e, em 1996, a campanha “Papai Noel dos Correios” tornou-se corporativa, passando a contar com a participação da sociedade na adoção das cartas.

“Este é um evento importante para os Correios, pois promove uma corrente do bem que espalha a solidariedade entre nossos funcionários e a sociedade”, disse o diretor regional dos Correios, Paulo César Santos.