Ronco

Se seu/sua companheiro (a) reclama que você está roncando em demasia a noite e inclusive está apresentando paradas na respiração seguidas por um barulho estranho, parecendo que está se afogando. Ele(a) está assustado(a) e algumas vezes acha que você não vai voltar a respirar mais… Por vezes, perde a paciência e insiste para você dormir em outro quarto! E você, por mais horas que fique na cama, ainda acorda cansado(a) e o dia custa a passar, com muito sono, irritabilidade no trabalho e diminuição da concentração!

Identificou-se? Então, é melhor procurar ajuda!

Na roda de amigos, o ronco pode até fazer parte das anedotas (dizem que todo homem nasceu para casar, engordar e roncar). Normal? Não! Por trás de um barulho intenso podem se esconder problemas graves de saúde, como arritmias, pressão alta (Hipertensão Arterial Sistêmica), diabete, infarto agudo do miocárdio, impotência sexual e AVC (derrame). Este som perturbador sugere a presença de um fechamento PARCIAL das vias aéreas e pode ser sucedido pela APNEIA, a qual significa uma parada COMPLETA do fluxo de ar. Sono agitado, despertares recorrentes com sensação de sufocamento, sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal, irritabilidade e baixa concentração são comuns.

O ronco é característica praticamente exclusiva da espécie humana. Isto por dois motivos: é o único que pode assumir uma posição de “barriga para cima” ao dormir e apresenta uma faringe (garganta) mais alongada e sem um arcabouço rígido (ósseo) que impeça o seu fechamento no sono. Pescoço curto e pequeno, amígdalas grandes, úvula edemaciada, maxila (queixo) pequeno e desvio de septo nasal são alguns dos achados naqueles que roncam. Fatores genéticos e ambientais contribuem e a OBESIDADE é um fator muito prevalente.

É um alarmante problema de saúde pública que merece diagnóstico rápido e tratamento certeiro. De incidência alta, chega a atingir mais de um terço de homens acima de 40 anos e cerca de 1/4 das mulheres nessa mesma idade. Porém, o que se percebe no consultório do especialista é que, embora alertado pelo cônjuge da existência incômoda deste som, muitos insistem em negá-lo e apenas uma pequena parcela – na iminência de um divórcio – procuram orientação médica. Atenção redobrada para aqueles que trabalham no trânsito, são motoristas ou lidam com máquinas pesadas por causa da sonolência diurna excessiva – causa comprovada de acidentes, pois gera uma diminuição dos reflexos e um aumento no tempo de reação.

Há diversas modalidades de tratamento e podem envolver vários profissionais. O Otorrinolaringologista é capacitado para esclarecer o local da obstrução e sugerir uma conduta e é importante não tardar em buscar ajuda!

Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono.
Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR.
Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO).
Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira.
Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira.
Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR.
Membro da International Surgical Sleep Society.