Aécio destitui Tasso da presidência do PSDB; ex-interino dispara: “PSDB desses caras não é o meu PSDB”

A crise interna vivida pelo PSDB ganhou contornos ainda mais sérios nesta quinta-feira (9). Isso porque, o senador Aécio Neves (MG) resolveu destituir o senador Tasso Jereissati (CE) da presidência interina da sigla. A decisão, segundo comunicado enviado por Aécio a Jereissati foi motivada para “garantir a isonomia entre os postulantes” na disputa pela presidência do PSDB. Tasso lançou na quarta-feira (8), candidatura ao comando da legenda, em eleição que será realizada no mês de dezembro.

Para destituir Jereissati do cargo, Aécio que estava afastado da presidência do PSDB desde maio, teve de reassumir o comando, para logo na sequência, transferi-lo para o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman que ficará responsável por comandar o partido até a convenção nacional, no próximo mês.

Por volta das 17h, cerca de 30 minutos após a decisão chegar ao gabinete de Tasso Jereissati, o senador reuniu a imprensa e disse ter se surpreendido com a postura de Aécio. Usando palavras duras, Tasso disse que a decisão não levou em conta o interesse coletivo do partido e afirmou ter diferenças profundas com o político mineiro.

“Desde comportamento político, comportamento ético, visão de governo, fisiologismo, a questão do fisiologismo deste governo. Eu já disse uma frase e vou repetir: Esse PSDB desses caras não é o meu PSDB”

Tasso disse não acreditar na justificativa de que a sua destituição traria mais “isonomia” para a disputa pela presidência da legenda. Aécio, no entanto, reiterou o que já havia dito no comunicado.

“O senador Tasso, diferente do que dizia anteriormente e, é legitima essa decisão, ontem anunciou a sua candidatura à presidência do PSDB. Em havendo um outro candidato, o atual governador Marconi Perillo é natural que seja garantida a isonomia na disputa.”

Após tomar posse como novo presidente interino, no diretório nacional do PSDB, Alberto Goldman foi perguntado se acreditava nas justificativas para a decisão de Aécio. O político desconversou.

“A mim cabe apenas ler o que está escrito e responder em cima do que está escrito. E o que está escrito é isso. E o meu papel será exatamente esse.”

A destituição de Tasso Jereissati repercutiu entre políticos da bancada tucana, a maioria deles se manifestou contrária a Aécio Neves, como deputado Daniel Coelho (PE).

“Rasgaram e jogaram no lixo a história do PSDB. Eu tenho certeza que haverá resistência interna e externa.”

Mas houve também quem defendesse Aécio Neves, como a deputada Bruna Furlan (SP)

“Essa decisão foi apenas para que houvesse uma isonomia na disputa. Mês que vêm nós teremos a eleição e elegeremos o presidente do PSDB. Portanto, os candidatos devem disputar de uma maneira igual”.

Provável candidato do PSDB à presidência, em 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin divulgou nota afirmando que não foi consultado sobre a saída de Tasso da presidência interina. O governador acrescentou que caso tivesse sido, diria ser contra, porque, na avaliação dele, o episódio “não contribui para a união do partido”.

 

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