Apneia: Só faz sentido para mergulhadores!

Segundo o dicionário Aurélio, apneia significa asfixia, respiração excessivamente tênue. Deriva do grego APNOIA, “falta de ar”, de A-, negativo, mais PNEIN, “respirar”, ligado a PNEUMA, “vento, respiração”. Para quem realiza mergulhos, apneia também é uma designação para o esporte chamado de mergulho livre. Nele, o mergulhador submerge sem o auxílio de equipamentos para respirar, ou seja, em apneia. É a forma mais barata de se mergulhar. Apenas com uma máscara, snorkel e nadadeiras já é possível desfrutar as belezas subaquáticas.

Diz-se que nesta situação, o mergulhador possui total liberdade de movimentos e é possível se infiltrar em fendas nas rochas e outros locais inatingíveis para o mergulhador autônomo, observar as tocas de perto e se deparar com os seres que as habitam. O único limite é o fôlego, que dita o momento de retornar à superfície para renovar o ar. O recorde mundial de apneia estática oficial, maio de 2007, é de nove minutos e oito segundos do alemão Tom Sietas.

Mas não se engane: quem pratica esta atividade faz parte de um grupo seleto, atletas, profundos conhecedores da atividade, que respeitam às normas de segurança e têm ótimas condições física e de saúde! E prezam “nunca mergulhe se você não estiver com alguém que possa salvá-lo”. Por outro lado (e não por vontade própria), saiba que muitas pessoas fazem repetidos “mergulhos” enquanto dormem. E não há nada de interessante, desafiador ou esportivo nesta condição de apneia do sono! Atenção: somente riscos cumulativos. São noites agitadas, com pausas na respiração (que bloqueiam o fluxo de ar para os pulmões), precedidas por roncos e que acabam com um barulho intenso, ressuscitativo, que aflige quem está ao redor. Imagine sofrer uma asfixia por minuto, mesmo que durem 10 segundos cada uma, não importa! A qualidade do sono será péssima e surgirão sonolência diurna excessiva, irritabilidade, cefaleia, diminuição da concentração e dos reflexos e a pessoa terá uma chance aumentada de desenvolver Hipertensão Arterial Sistêmica, Arritmia Cardíaca, Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (derrame), acidente de trânsito e de trabalho, impotência sexual e… até óbito.

Não se esqueça: o diagnóstico correto será feito pela polissonografia, solicitada por seu médico. Evite o sedentarismo, tabagismo e o sobrepeso! Há condições anatômicas predisponentes que só poderão ser corrigidas com cirurgia (amigdalas grandes, palato redundante, desvio de septo). Por fim, o especialista ainda poderá te indicar o CPAP (equipamento que gera pressão no ar e a empurra através de uma máscara no rosto).

Uma ótima noite garante um dia excelente!

Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono.
Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR.
Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO).
Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira.
Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira.
Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR.
Membro da International Surgical Sleep Society.