Curitiba registra casos autóctones de zika e dengue e aumenta rigor na fiscalização 10/03/2016 14:34:00

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) confirmou na tarde desta quinta-feira (10) a segunda morte por dengue em Curitiba e os primeiros casos autóctones do município neste ano – um de dengue e três de zika (nenhum em gestante). São os primeiros episódios em que os pacientes contraíram as doenças na própria cidade. Os dados foram divulgados em uma entrevista coletiva e apresentados na abertura da Sala de Combate ao Aedes de Curitiba. Novas ações para intensificar o controle do mosquito também foram anunciadas – entre elas, multas para donos de imóveis reincidentes na falta de cuidado em relação ao mosquito.

O informe semanal de monitoramento da dengue, zika e chikungunya em Curitiba traz 287 casos confirmados de dengue (286 importados e um autóctone), 29 episódios de zika (26 importados e três autóctones) e quatro casos de chikungunya (todos importados). Em 2016, foram identificados no município 163 focos do mosquito transmissor.

“Nossos esforços têm sido intensificados no controle do Aedes aegypti, com varreduras diárias em toda a cidade e ações imediatas de bloqueio das áreas em que há casos das doenças. Temos uma equipe formada por profissionais de diferentes departamentos para monitorar, investigar e desencadear as ações necessárias conforme cada cenário para minimizar o risco de contaminação de outras pessoas”, diz a coordenadora do Centro de Operações Estratégicas em Saúde (Coes) e diretora do Centro de Epidemiologia da SMS, Juliane Oliveira.

Ações

Assim que um caso suspeito de dengue, zika ou chikungunya é identificado, equipes da SMS fazem o bloqueio da área em um raio de 300 metros a partir da residência do paciente – ação em que é feita inspeção do território delimitado para eliminar o mosquito e possíveis focos de proliferação do Aedes. Dessa forma, a possibilidade de o paciente com a doença ser picado por um mosquito e o vetor transmitir o vírus para outras pessoas é reduzida.

Além das ações no âmbito da Saúde, a Prefeitura de Curitiba tem mobilizado todos os setores para combater o mosquito. Na Educação, os 144 mil alunos e crianças atendidos nas 420 unidades da rede municipal de ensino têm sido estimulados e educados sobre como identificar focos de proliferação do Aedes aegypti e as formas adequadas de eliminá-los em suas casas. No Meio Ambiente, 857 toneladas de lixo já foram removidas das ruas da cidade, em ação contínua relacionada ao Aedes. No Urbanismo, mutirões foram organizados com foco exclusivo na fiscalização da limpeza de imóveis.

Como medida educativa e forma de fazer com que a população entenda a importância de todos estarem envolvidos na eliminação de focos, o secretário municipal da Saúde, César Monte Serrat Titton, anunciou nesta quinta-feira (10) que a Vigilância Sanitária municipal tratará com mais rigor casos de imóveis reincidentes em relação ao Aedes aegypti.

“Diante do cenário nacional e estadual em que Curitiba está inserida, teríamos de trabalhar com casos autóctones mais cedo ou mais tarde. A partir deste momento, nossas equipes passarão a multar aqueles casos em que temos despendido esforços contínuos dos nossos agentes sem resultados efetivos. Também estamos articulando com outras pastas para que tenhamos condições jurídicas e de segurança para inspecionarmos imóveis inacessíveis”, afirma Titton.

Casos

A segunda morte por dengue em Curitiba neste ano trata-se de um homem de 66 anos, morador do Alto Boqueirão e com histórico de viagem para Paranaguá, sendo considerado um caso importado da doença. Os primeiros sintomas surgiram em 8 de fevereiro, o paciente buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Boqueirão, foi internado no Hospital do Idoso Zilda Arns e faleceu em 3 de março.

Os três casos de zika autóctone referem-se a um homem e duas mulheres. O paciente do sexo masculino tem 34 anos, é morador do bairro Cajuru e teve os primeiros sintomas em 9 de fevereiro. O segundo caso envolve uma jovem de 17 anos, moradora do Sítio Cercado e com sintomas iniciados em 13 de fevereiro. O terceiro caso é de uma mulher de 56 anos, residente no Alto Boqueirão e com início dos sintomas em 15 de fevereiro. Todos os casos foram acolhidos e acompanhados por serviços municipais de saúde. Os pacientes estão recuperados e encontram-se bem, sem quaisquer sequelas da doença.

O caso de dengue autóctone envolve um homem de 32 anos, morador da Vila Guaíra e com início dos sintomas em 27 de fevereiro. O paciente buscou atendimento na UPA Matriz e hoje encontra-se bem e recuperado.