De reformas à militares no poder: conheça propostas de presidenciáveis

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou nesta quarta-feira (4) sabatina com seis pré-candidatos à Presidência: Álvaro Dias, do Podemos; Ciro Gomes, do PDT; Geraldo Alckmin, do PSDB; Henrique Meirelles, do MDB; Jair Bolsonaro, do PSL, e Marina Silva, da Rede Sustentabilidade.

A sabatina da CNI abriu a temporada de debates entre os postulantes ao Planalto e os representantes dos setores da economia do país. O encontro não teve debates entre os pré-candidatos. Eles serão ouvidos separadamente, com tempo de fala limitado e igual para cada um deles.

Na abertura das sabatinas, o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, afirmou que as propostas servirão de “bússola” para os presidenciáveis. “O setor produtivo está fazendo a sua parte e as propostas servem de bússola para o longo caminho ainda a ser percorrido. A agenda de reformas deve ser o carro-chefe desse novo tempo”, disse.

Geraldo Alckmin, do PSDB, foi o primeiro a falar. O tucano disse que “o Brasil não é o país do resultado, é o país da regra”, defendeu a simplificação tributária e falou em “reduzir o imposto de renda”. Alckmin reclamou ainda do “excesso de judiciarização” e foi apalaudido pelos empresários do setor industrial.Alckmin defendeu que é preciso buscar uma redução tributária no setor energético“Quem for eleito terá cerca de 60 milhões de votos. Isso traz uma legitimidade grande. A sociedade espera mudanças. O novo governo tem que explicar as razões desses avanços, como a simplificação tributária e a reforma da previdência”, disse o pré-candidato.

Reforma política

Já Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, afirmou em discurso que é preciso mudar práticas políticas no país. “O grande desafio do Brasil, hoje, é fazer uma reforma política. Se continuarmos com o mesmo sistema político, muitas propostas não irão para frente”, disse. E completou: “Reforma política significa fim da reeleição, voto distrital misto, quebrar o monopólio dos partidos políticos, criar uma concorrência idônea. Não existe mobilidade dentro dos partidos.”Marina Silva: Sobre possíveis alianças com outros partidos, a ex-senadora disse que ainda é cedo para avaliar isso. “Nenhum partido definiu ainda vices e alianças. Nós, da REDE, temos um critério: nossas alianças serão coerentes com aquilo que defendemos, que são alianças programáticas. Não apenas para ter palanque nos estados ou tempo de televisão.”

Para estimular a economia, Marina prometeu investimentos no setor produtivo. “A indústria brasileira vive uma crise. Estamos passando pela quarta revolução industrial e isso requer investimento em educação, tecnologia e inovação. Ganho e aumento de produtividade.”

Militares no poder

Jair Bolsonaro disse aos empresários que “é preciso arrumar a casa” e que “quer um Brasil diferente do que está aí.” Ao ser questionado sobre a afirmação de que colocará generais a frente de ministérios, o pré-candidato garantiu que vai colocar militares no poder, “não por serem generais, mas pela competência”.Bolsonaro: O pré-candidato defendeu ainda mudanças no ensino e voltou a apoiar o projeto Escola Sem Partido. Sobre a greve dos caminhoneiros, Bolsonara criticou os governos do PT. “Não ficamos refém dos caminhoneiros, eles que foram iludidos no final do governo Lula e Dilma, com a facilitação de compra de caminhões. Comigo não teria acontecido o problema dos caminhoneiros, teríamos inteligência para antecipar os problemas”, completou.

Ao falar de sua proposta econômica, disse que está bem assessorado e que quer caminhar rumo ao desenvolvimento, citando países como Israel e Japão. “Nós queremos um Brasil livre, capitalista, que cresça e procure ser igual aos melhores”. Na coletiva de imprensa, o militar ainda esbanjou confiança. “Eu tenho o que os outros candidatos não têm: tenho o povo comigo. A pesquisa diz que 80% dos que votam em mim, não mudam o voto. Nós temos tudo para ganhar no primeiro turno”, cravou.

“Sirvo ao país”

Henrique Meirelles, pré-candidato pelo MDB, se apresentou como a pessoa “que tirou o país da crise duas vezes”. “Quando estive no governo, o Brasil cresceu. Quando saí, ele teve problemas. Eu sirvo ao país. Trabalhei em dois governos de forma bem sucedida”, disse. Ao ser perguntado se acredita realmente que pode chegar ao Planalto, o medebista foi categórico. “As pesquisas mostram com clareza que, no momento que elevarmos o nível de conhecimento da população sobre o meu histórico, no governo Lula e no governo Temer, vão notar que sou um candidato que pode trazer mais resultados concretos para o povo”.Meirelles defende reforma tributária: Apesar da intenção de voto de cerca de 1% dos eleitores, de acordo com institutos de pesquisa, Meirelles está confiante e acredita em vitória nas eleições de outubro. “As pesquisas listam que a população quer um candidato com competência, experiência, integridade pessoal e seriedade. Essas características são atribuídas a mim, como mostram os vídeos e o meu histórico. Por isso, tenho convicção de uma vitória em outubro”, completou.

Conhecido por muitos pelo trabalho feito à frente do Ministério da Fazenda no governo Temer, Meirelles defendeu a necessidade de mudanças no sistema tributário. “Se eleito, a Reforma Tributária é a minha absoluta prioridade. A proposta está em andamento. Existe uma proposta de reforma do PIS/Confis. Tenho uma equipa técnica qualificada pra isso”, prometeu.

Desenvolvimento europeu para o Brasil

Ciro Gomes, pré-candidato pelo PDT, afirmou que o Brasil precisa construir um plano nacional de desenvolvimento para os próximos 50 anos. Na visão dele, o país está paralisado e não consegue crescer economicamente por conta de fatores como o endividamento das famílias e das empresas, que “o governo tem sido incapaz de solucionar”.Ciro Gomes: “Sou contra esta reforma trabalhista. É preciso uma nova reforma, mas que reúna todos os setores da sociedade.”“Nós estamos afundando estrategicamente como país, como nação. Basta ver a consequência disso no caos que está virando a vida do nosso povo na rua”, criticou.

Ciro voltou a falar que as novas leis trabalhistas pesam nas costas do trabalhador. “Sou contra esta reforma trabalhista. É preciso uma nova reforma, mas que reúna todos os setores da sociedade.”

Justamente ao falar do assunto, o pré-candidato foi vaiado. Na coletiva de imprensa, Ciro disse que não se importa com esse tipo de manifestação. “Não acho que um bom presidente do Brasil é aquele que quer agradar a todos. Não me importo de ser vaiado por defender trabalhador”, afirmou.

Reformas

Álvaro Dias, que tenta se eleger presidente pelo Podemos, afirmou que quem for eleito, precisará fazer reformas para recolocar o Brasil nos trilhos. “Se nós não aproveitarmos o primeiro momento de alta confiança, não conseguiremos fazer as reformas. Sou mais ambicioso, acredito que deve ser feita nos primeiros 100 dias de governo”.Álvaro Dias: “Em relação à reforma da Previdência, ela é essencial, mas as preliminares devem ser adotadas. Junto com isso, mostrar ao Brasil o balanço desta previdência e, do outro lado, a disposição do governo”, completou.

Álvaro ainda destacou que vê com bons olhos a reforma Trabalhista. “Sobre a reforma trabalhista, ao meu ver é positiva, mas alguns pontos devem ser revistos. Ao todo 27 itens foram prometidos pelo governo, mas não foram realizados.”