Livros reúnem histórias produzidas por crianças da Educação Infantil

Era uma vez, num reino encantado escondido nos bairros de Curitiba. Crianças de 4 e 5 anos com poderes especiais, recebidos das professoras dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) São José Operário, no Boqueirão, e Irmã Dorothy Mae Stang, no Boa Vista. Meninos e meninas incentivados e orientados pelas professoras escreveram histórias divertidas e assustadoras que viraram livros e foram entregues para todas unidades de educação do município com turmas de educação infantil. A distribuição dos livros começou na tarde desta quinta-feira (23), durante uma cerimônia no Salão de Atos do Parque Barigui.

A produção dos livros é o resultado do curso “Mil e Uma Histórias: Uma Viagem pela Literatura”, oferecido pela Secretaria Municipal da Educação para professores municipais que atuam em turmas de pré-escola. Após estudos, oficinas de produção de texto e ilustração e reflexões sobre como mediar a produção literária entre crianças, eles voltaram para suas unidades para compartilhar o novo aprendizado para construir histórias coletivas. Duas delas foram selecionadas para serem publicadas e distribuídas na rede. A impressão dos livros foi feita por meio de parceria com o Grupo Expoente.

Esta foi a segunda edição do projeto de criação de livros, que envolveu 140 professores e mais de 4,2 mil crianças. A produção, segundo a secretária municipal da Educação, Roberlayne Borges Roballo, valoriza a autonomia e a autoria da criança, além de promover sua ampliação cultural. “Brincando, as crianças criam livros originais e singulares que expressam o que elas pensam sobre o mundo e que serão apreciados e compartilhados com outras crianças, com seus familiares e entre os profissionais da rede”, disse Roberlayne.

A professora de educação infantil Adelita Aparecida Semmelmann, do CMEI São José Operário, apostou no potencial criativo e na inspiração das crianças que ensina e transformou em livro uma das histórias narradas pela turminha. Assim nasceu Gustavo, o protagonista da história “Buhh!! Que sonho assustador”.

Um dos autores do livro, Eduardo Gastão, de 5 anos, conta que ilustrar o texto foi uma grande diversão. “Eu gostei muito de criar fantasmas, são personagens diferentes e até divertidos, apesar de assustarem. Foi legal fazer um livro com nossos desenhos”. A colega Rafaela Menon dos Santos, 5 anos, também aprovou a experiência. “Cada dia a gente fazia uma parte e o trabalho da turma foi muito alegre. Todos deram ideias, eu inventei a bruxa de olho de barata e cabelo amarelo”, disse Rafaela.

O terror também foi o tema escolhido pela turma do CMEI Irmã Dorothy Mae Stang para criar o livro “Cemitério assustador”. A produção orientada pelas professoras Carolina de Andrade Cardoso e Ivanete Isidio de Souza relata a aventura do garoto Miguel com monstros, fantasmas e feitiços. O exercício de escrever sobre Miguel deu origem à história. “Um de nós contava uma parte. Se todos gostassem, colocávamos no livro. Se não, ficava de fora”, explicou Jean Carlos de Souza de Almeida sobre o processo criativo.

Para a professora Adelita, o processo foi importante. “Aprendemos juntos. A capacidade de imaginação e articulação do enredo surpreendeu a todos nós”, diz. O mais difícil, segundo a professora, foi articular o tempo. “E o mais significativo foi ver o aprendizado e a alegria das crianças com o trabalho final”, concluiu a professora.

Embora os professores tenham recebido a mesma formação, os processos de criação nas unidades foram diferentes, respeitando as características das turmas. Comum a todos foi a experiência de compartilhar entre profissionais, crianças e famílias os percursos de criação e autoria, os ricos momentos em que as crianças leram e ouviram histórias. “O objetivo é fazer desta atividade uma ação que reflete o protagonismo infantil, tornando a criança autora de sua aprendizagem e em seus processos de saberes”, disse a diretora do departamento de Educação Infantil, Maria da Glória Galeb.