O que a Doença de Alzheimer tem a ver com a Otorrinolaringologia?

O que a Doença de Alzheimer tem a ver com a Otorrinolaringologia?

Num primeiro momento, todos podem pensar que esta doença não tem nada a ver, mas no último Congresso Americano de Neurologia que aconteceu recentemente em Los Angeles, uma das coisas mais discutidas sobre essa doença foi sua relação com a Otorrinolaringologia.

A doença de Alzheimer é o tipo de demência mais comum e também é um termo geral usado para descrever as condições que ocorrem quando o cérebro não mais consegue funcionar corretamente. O Alzheimer causa problemas na memória, pensamento e comportamento. Nos estágios iniciais, os sintomas de demência podem ser mínimos, mas pioram conforme a doença causa mais danos ao cérebro.

Há atualmente 2 grandes estudos científicos em curso: um denominado “A4” e outro chamado “Trail Blazers”. Esses dois estudos estão avaliando novas medicações e hábitos de vida que podem influenciar positivamente ou negativamente no tratamento da doença de Alzheimer.

Os tratamentos medicamentosos são bastante promissores, mas esses estudos terminarão somente em 2022. O que fazer até lá? E o que a otorrino tem a ver com isso?

Nesses estudos tem-se visto que algumas coisas e mudanças de hábitos são muito importantes para o aparecimento e progressão da doença. Por exemplo: sabe-se atualmente que quanto maior a escolaridade da pessoa, mais tardio será o possível aparecimento da doença. Atividades físicas e controle da hipertensão e diabetes também são importantes e ajudam tanto retardando o início dos sintomas, quanto à progressão da Doença de Alzheimer.

Mas as duas coisas que parecem ter mais relação tanto com o aparecimento dos sintomas, quanto da progressão da doença são: 1) perdas auditivas; 2) distúrbios do sono. E essas duas áreas têm tudo a ver com a otorrinolaringologia! A Academia Americana de Neurologia agora recomenda o tratamento precoce das perdas auditivas, quer seja com aparelhos auditivos ou cirurgias; e também o tratamento dos distúrbios do sono, quer seja com medicações, CPAPs ou cirurgias.

Outro campo na otorrinolaringologia envolvida com esta demência é o olfato. Os primeiros relatos de disfunção olfatória em pacientes com Doença de Alzheimer datam da década de 70. Foi observado que a disfunção olfatória pode preceder o desenvolvimento da doença, assim como de outras similares neurodegenerativas, como o Parkinson. Esta sequência temporal, associada à natureza não invasiva e de baixo custo, faz da avaliação olfatória uma candidata excelente como biomarcador para detecção precoce da Doença de Alzheimer. Estudos progridem nesse sentido.•

Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono.
Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR.
Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO).
Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira.
Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira.
Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR.
Membro da International Surgical Sleep Society.