Os riscos do sono insuficiente:

Você já percebeu uma tendência à glamourização das pessoas que dormem pouco em prol do trabalho? Já visitou a “cidade que nunca dorme”? Será mesmo que estamos “perdendo tempo” ao dormir?! Um estudo internacional (RAND Europe) comparou dados de alguns países e mostrou resultados alarmantes sobre o aumento da mortalidade e queda na produtividade nas populações que dormem em média de 6 ou menos horas por noite. Vale salientar que o famoso Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos já havia declarado que o sono insuficiente é um “problema de saúde pública” naquele país, porque mais de um terço dos adultos americanos não dormem o suficiente e afirmou que esta situação está associada a problemas de saúde e na vida social, incluindo fracasso na escola e no mercado de trabalho. Culpa, em grande parte, de fatores de estilo de vida de uma sociedade moderna 24/7, como estresse psicossocial, consumo de álcool, tabagismo, falta de atividade física e uso abusivo de mídias e eletrônicos, entre outros.

Este estudo em questão foi relevante por tentar esclarecer:

A) quais são os fatores associados à curta duração do sono e à má qualidade do sono?

B) o que as evidências existentes dizem sobre a ligação entre sono insuficiente e o risco de mortalidade?

C) quais são os efeitos econômicos do sono insuficiente?

As principais conclusões: A privação do sono está ligada a um maior risco de mortalidade. Um indivíduo que dorme em média menos de 6h por noite tem um risco de mortalidade dez por cento maior do que alguém dormindo entre 7 e 9 horas. Aquele que dorme entre 6 e 7 horas por dia ainda apresenta um risco de mortalidade quatro por cento maior. Os países têm prejuízos econômicos elevados por causa de presenteísmo e absenteísmo – os trabalhadores adoecem mais e produzem menos no trabalho. Os EUA, por exemplo, sustentam de longe as maiores perdas (até US$ 411 bilhões por ano), seguidos pelo Japão (até US$ 138 bilhões por ano)!

Recomendações do estudo:

1) os indivíduos devem definir tempos regulares de dormir e despertar; limitar o uso de itens eletrônicos antes de dormir e praticar exercícios físicos.

2) Os empregadores devem reconhecer a importância do sono e exercer seu papel  na promoção de hábitos saudáveis na empresa; projetar e construir espaços de trabalho mais iluminados e desencorajar o uso prolongado de dispositivos eletrônicos.

3) As autoridades públicas devem apoiar os profissionais de saúde no fomento de estratégias relacionadas ao sono; encorajar os empregadores a prestar atenção às questões do sono e introduzir mais tarde os horários de início das aulas para os adolescentes.