Otite externa aguda – Verão, praia, piscina

No verão, aumenta a incidência do que chamamos de otite externa (OE), uma situação muito dolorida e que pode atrapalhar suas férias. Antes de mais nada, o ouvido ou orelha externa engloba o conduto auditivo externo (CAE) e o pavilhão auricular, separado do ouvido médio pela membrana timpânica e é responsável por captar as ondas do som e transmiti-las ao ouvido interno. As OE são afecções que ocorrem no CAE e como esta área é revestida por pele, as doenças que nela se situam podem ser consideradas como afecções dermatológicas, com localização otológica. Esta é a razão pela qual o principal fator de resistência às infecções é a integridade da pele e a manutenção das secreções protetoras das suas glândulas sebáceas e apócrinas (cerúmen), assim como o ph ácido. Essa ação protetora do cerúmen é prejudicada pela exposição excessiva à água, tornando os nadadores mais sujeito à OE, da mesma forma que os portadores de doenças da pele alteram sua integridade. Na orelha externa, a pele tem uma atividade migratória característica que lhe mantém a superfície constantemente renovada, tornando a utilização de cotonetes e outros instrumentos de limpeza desnecessários.

[themoneytizer id=21651-2]

 

A chamada “otite do nadador” ou Otite Externa Difusa Aguda é a forma mais frequente entre os diversos tipos de OE. Ela se caracteriza por uma infecção difusa da pele do CAE e, inicialmente, pode se apresentar apenas com hiperemia. Durante a evolução do processo, o CAE via diminuir seu diâmetro, chegando às vezes à obstrução, em consequência da reação inflamatória e edema.

Nesta fase, a dor é intensa, sendo exacerbada ao simples toque do pavilhão auricular e área próxima ao meato acústico externo. Geralmente, acontece no clima quente, há história de banhos de piscina, mar, lagos ou rios. Os principais sintomas característicos da OE são otalgia, a coceira, a sensação de plenitude auricular (“ouvido cheio”), a diminuição da audição e a otorréia (secreção).

Muitas vezes em atividades aquáticas, pacientes com tendência à OE devem ser orientados ao uso de “plugs” de silicone para evitar o contato com a água.

O tratamento rotineiro da OE envolve analgésicos, anti-inflamatórios e gotas otológicas com antibióticos (tópicas), além de remoção de secreções ou descamações pelo especialista no consultório (aspiração). Orientamos, por fim, evitar o excesso de zelo na limpeza do CAE, seja com hastes protegidas por algodão, ponta do dedo/unha, grampos, tampa de caneta, etc, porque com estas medidas há o risco de ser removido o cerúmen que dá a barreira protetora com o pH adequado.

Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono.
Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR.
Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO).
Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira.
Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira.
Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR.
Membro da International Surgical Sleep Society.