Otite externa aguda – Verão, praia, piscina

No verão, aumenta a incidência do que chamamos de otite externa (OE), uma situação muito dolorida e que pode atrapalhar suas férias. Antes de mais nada, o ouvido ou orelha externa engloba o conduto auditivo externo (CAE) e o pavilhão auricular, separado do ouvido médio pela membrana timpânica e é responsável por captar as ondas do som e transmiti-las ao ouvido interno. As OE são afecções que ocorrem no CAE e como esta área é revestida por pele, as doenças que nela se situam podem ser consideradas como afecções dermatológicas, com localização otológica. Esta é a razão pela qual o principal fator de resistência às infecções é a integridade da pele e a manutenção das secreções protetoras das suas glândulas sebáceas e apócrinas (cerúmen), assim como o ph ácido. Essa ação protetora do cerúmen é prejudicada pela exposição excessiva à água, tornando os nadadores mais sujeito à OE, da mesma forma que os portadores de doenças da pele alteram sua integridade. Na orelha externa, a pele tem uma atividade migratória característica que lhe mantém a superfície constantemente renovada, tornando a utilização de cotonetes e outros instrumentos de limpeza desnecessários.

[ads1]

 

A chamada “otite do nadador” ou Otite Externa Difusa Aguda é a forma mais frequente entre os diversos tipos de OE. Ela se caracteriza por uma infecção difusa da pele do CAE e, inicialmente, pode se apresentar apenas com hiperemia. Durante a evolução do processo, o CAE via diminuir seu diâmetro, chegando às vezes à obstrução, em consequência da reação inflamatória e edema.

Nesta fase, a dor é intensa, sendo exacerbada ao simples toque do pavilhão auricular e área próxima ao meato acústico externo. Geralmente, acontece no clima quente, há história de banhos de piscina, mar, lagos ou rios. Os principais sintomas característicos da OE são otalgia, a coceira, a sensação de plenitude auricular (“ouvido cheio”), a diminuição da audição e a otorréia (secreção).

Muitas vezes em atividades aquáticas, pacientes com tendência à OE devem ser orientados ao uso de “plugs” de silicone para evitar o contato com a água.

O tratamento rotineiro da OE envolve analgésicos, anti-inflamatórios e gotas otológicas com antibióticos (tópicas), além de remoção de secreções ou descamações pelo especialista no consultório (aspiração). Orientamos, por fim, evitar o excesso de zelo na limpeza do CAE, seja com hastes protegidas por algodão, ponta do dedo/unha, grampos, tampa de caneta, etc, porque com estas medidas há o risco de ser removido o cerúmen que dá a barreira protetora com o pH adequado.