Polícia prende quadrilha que vendia cocaína para motoristas de caminhão. Curitiba, 24/08/2016. Foto: Carlos Soares/Departamento de Polícia Civil do Paraná

Uma quadrilha especializada na venda de cocaína para caminhoneiros foi desarticulada nesta quarta-feira (24) durante a operação Têmis, deflagrada pela Denarc (Divisão Estadual de Narcóticos) da Polícia Civil do Paraná. Dez pessoas foram presas preventivamente e uma está foragida. Foram cumpridos ainda 12 mandados de busca e apreensão.

Durante cinco meses de investigação, os policiais da Denarc monitoraram a ação desta organização criminosa, resultando na apreensão de sete armas, cerca de dois quilos de cocaína, 100 munições e cinco balanças de precisão, além de R$ 100 mil. Foram apreendidos ainda oito veículos utilizados pelos criminosos para distribuição de droga. A operação aconteceu em Curitiba e na Região Metropolitana.

“Aplicamos todas as técnicas policiais possíveis para desarticular essa quadrilha, provando mais uma vez que ao combater o tráfico de drogas nós estamos combatendo crimes patrimoniais (furtos, roubos e receptação) e crimes contra a vida, além de manter a paz nas estradas”, afirmou o secretário de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita. O secretário defendeu ainda a necessidade de aplicação de um narcoteste a motoristas profissionais nas estradas.

DISQUE-COCAÍNA – A quadrilha agia principalmente em postos de gasolina, onde motoristas de caminhão costumam pernoitar, e na beira das estradas que cortam o País. Os criminosos montaram um disque-cocaína, com linhas telefônicas exclusivas para atender os caminhoneiros. De acordo com as investigações, a quadrilha vendia até 100 buchas de cocaína, chegando a arrecadar cerca de R$ 10 mil por dia.

O esquema funcionava assim: os caminhoneiros ligavam para os traficantes, pediam a cocaína e informavam onde estavam parados – normalmente em postos e na beira da estrada. Os criminosos então se deslocavam até o local indicado pelos motoristas e rapidamente faziam a transação.

“A ação da Denarc mais uma vez tirou de circulação dezenas de pessoas que colocavam em risco a vida de muitas pessoas, por vender drogas para profissionais da estrada”, ressalta o delegado-geral da Polícia Civil, Julio Reis.

QUADRILHA – O homem apontado como chefe da quadrilha está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), acusado de dois homicídios e tráfico de drogas. De dentro da carceragem, ele comanda as ações dos traficantes.

O braço direito dele era uma universitária de 20 anos, namorada do traficante, e está grávida. Ela é quem comanda as ações dos traficantes nas ruas – cumprindo as ordens do namorado. A estudante foi presa em casa. O dinheiro era usado para construir uma casa em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. A residência está quase pronta e é lá que ela iria viver com o filho.

Outro braço direto do chefe da quadrilha é apontado pela Denarc como gerente da quadrilha. Recentemente encontrou uma outra forma de vender cocaína. Ele abriu uma casa de prostituição em São José dos Pinhais – que foi alvo de busca pelos policiais da Denarc. Além de tráfico de drogas e organização criminosa, ele também responderá pelo crime de lavagem de dinheiro e favorecimento à prostituição.

A delegada-adjunta da Denarc, Camila Cecconello, responsável pela investigação, pediu ao Poder Judiciário o bloqueio da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de dez motoristas de caminhão flagrados na operação comprando cocaína. “Pedimos os bloqueios das CNH pelo risco que os caminhoneiros expõem outros motoristas ao trafegar sob efeito de cocaína pelas estradas do País”, disse a delegada.

As pessoas presas durante a Operação Têmis responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico, além de outros crimes.

A ação policial foi deflagrada às 6h desta quarta-feira (24) para cumprir 23 mandados judiciais – sendo 11 de prisão e outros 12 de busca e apreensão. Participaram da operação cerca de 50 policiais da Denarc de Curitiba e do interior do Paraná, além de guardas municipais de São José dos Pinhais. A operação contou com o apoio do GOA (Grupamento de Operações Aéreas) da Polícia Civil.