Vai dirigir? Não dê Carona para O Sono!

Neste período de férias escolares e de festas de fim de ano é essencial alertar para um assunto com enormes repercussões para as famílias: acidentes de trânsito por sonolência e fadiga.

Já se sabe que dirigir com sono é tão perigoso quanto dirigir sob o efeito do álcool, porque diminuiu a atenção, lentifica os reflexos e a resposta aos estímulos! Estima-se que até 50% dos acidentes de trânsito sejam relacionados com a sonolência excessiva. Uma tragédia!

Estudo americano revelou que são três os grupos de condutores que mais se envolvem em acidentes devido ao cansaço/sono: homens com menos de 29 anos, profissionais com turno de trabalho prolongado ou horários irregulares e pessoas com apneia do sono ou narcolepsia (distúrbio do sono, caracterizado por sonolência excessiva, mesmo quando a pessoa dormiu bem à noite). Ou seja, quem ronca a maior parte das noites e tem pausas na respiração (apneia) apresenta uma qualidade de sono extremamente ruim, o que justifica a sonolência excessiva durante o dia (entre outras consequências). E muitos passam anos sem um diagnóstico e tratamentos corretos.

Atentos a estes riscos, uma determinação do CONTRAN, desde 2008, determina ao médico do tráfego examinador que vete ou suspenda temporariamente a carteira de motorista das categorias C, D, E daqueles com evidências de distúrbios de sono, até uma investigação médica mais aprofundada.

O corpo sinaliza a chegada do sono, mas muitas vezes os indícios não são levados a sério. Negar o cansaço é o primeiro deles. Por isso, a conscientização é o primeiro passo para minimizar os riscos. A dificuldade em se manter alerta, os bocejos seguidos, a sensação de olhos com areia e pesados e piscar com frequência são outros sintomas de sonolência.

Em casos de viagens longas, recomenda-se que o motorista faça paradas a cada 4 horas de 10 a 15 minutos – ou a cada 150 km percorridos; mas em caso de trânsito pesado e congestionado, a dica é que essa parada seja antecipada e feita em período de 2 horas, já que o estresse e cansaço são potencializados nestas condições.

Os períodos em que a sonolência é mais acentuada são aqueles que coincidem com o declínio da temperatura corporal, ou seja, entre 12:30 até 15horas e de 3h30m da manhã até 6h, sendo que este último intervalo é o mais crítico.

As lesões e mortes no trânsito são responsáveis por consideráveis perdas econômicas às vítimas, suas famílias e aos países em geral. Essas perdas decorrem dos custos com tratamentos (incluindo reabilitação e investigação do acidente), bem como da redução/perda de produtividade. E a sonolência excessiva é uma causa evitável e deve ser debatida sempre!

Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono.
Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR.
Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO).
Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira.
Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira.
Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR.
Membro da International Surgical Sleep Society.