“A nação brasileira é de índole pacífica e sempre optou por solucionar suas controvérsias por meio do diálogo e da negociação. Entretanto, houve momentos na sua história em que as armas foram inevitavelmente empregadas.

Uma dessas ocasiões ocorreu durante a 2ª Guerra mundial, quando a força Expedicionária brasileira (FEB) participou do esforço Aliado contra as agressões das tropas do Eixo.

Atuando em terras italianas desde junho de 1944, mais de 25 mil soldados brasileiros combateram em duras penas diante de um inimigo bem treinado e adaptado às condições locais, incluindo o rigoroso inverno europeu e as alturas dos Apeninos.

Os pracinhas, como são conhecidos os combatentes brasileiros, lutaram até a rendição da 148ª Divisão de Infantaria Alemã à FEB, em 30 de abril de 1945, no norte da Itália.” (Traduzido da revista Verde Oliva, Agregaduría Militar, Ejército Brasileño, p.9).

Ao contrário da artilharia americana, que despejava fogos sem o necessário foco, a artilharia brasileira manteve a tradição de ser o “Revólver de Mallet”. Tanto é verdade que, quando fazia a regulação de seus fogos, os alemães já ficavam espertos, pois sabiam que poderiam ser alvejados com rapidez e precisão.

Os nazistas eram experts em propaganda, tanto que lançavam granadas de propaganda. Numa dela havia uma gravura com uma mulher loira na praia de Copacabana, dizendo “Enquanto você está na guerra a sua mulher está se divertindo.” O objetivo era abater o moral dos pracinhas. Como a maioria tinha poucos estudos, sendo muitos analfabetos, prestou mais atenção ao fundo e ao formato da gravura. O furo é que o Pão de Açúcar estava invertido. Os pracinhas começaram a chamar o alemão de burro. Ora, bem trabalhado, o moral se elevou mais ainda.

Fazendo-se uma análise crítica, pode-se afirmar que os nazistas estavam bem preparados: treinamento de Estado-Maior; uso massivo de ciência e tecnologia, com invenções como o capacete aerodinâmico, motor refrigerado a ar, próprio para o deserto, régua de cálculo do tamanho de um palito de picolé, diferentemente dos americanos que precisava de um bornal para transporte.

O surgimento de símbolos é um fato curioso. No caso da “Cobra fumando” não poderia ser mais original, haja vista que houve uma grande demora do Brasil se preparar e só entraria em ação de combate se a cobre fumasse. Em resposta, não é que a cobra fumou mesmo? Artigo em homenagem ao Dia da Vitória dos Aliados, 08 de maio de 1945.

Isaac Carreiro Filho
Militar da Reserva Remunerada do Exército Brasileiro, especialista em Comunicações, Mestre em Ciências Militares, bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria, extensão em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Curso Livre em Teologia pelo Instituto Teológico Quadrangular-Água Verde, membro do Centro de Estudos Brasileiros do Paraná, patriota da Liga da Defesa Nacional-Paraná, professor, colunista e palestrante.