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Não é de hoje que no chamado basquete internacional, o basquete de seleções, uma coisa é considerada praticamente uma verdade irrefutável: os Estados Unidos são os favoritos sempre, seja qual for o adversário. Isso acontece porque os norte-americanos não têm simplesmente os maiores talentos, mas também o maior acúmulo de talento em um elenco. Às vésperas do início da Copa do Mundo da China, neste sábado (31), a segunda parte se mantém verdadeira, mas a primeira, não. E é aí que surge a brecha para um possível desfecho diferente do que estamos acostumados a ver.

Se formos julgar o quão qualificada uma equipe é por meio da quantidade de atletas atuando na maior liga do mundo – não coincidentemente a NBA, a liga norte-americana -, os Estados Unidos ainda estão bem à frente do resto das seleções. Todos os 12 jogadores defendem equipes da NBA. O país que chega mais perto disso é a França, com cinco.  No entanto, não seria loucura argumentar que os americanos não possuem no elenco nem o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro melhor jogador da competição. O armador Kemba Walker, de 29 anos, é o único que foi escolhido para um dos três quintetos principais da última temporada da NBA, uma boa régua para aferir quem são os principais nomes do basquete mundial no momento. É bem verdade que nenhuma outra seleção tem mais do que um atleta entre estes 15, mas os outros escolhidos podem representar grandes obstáculos. O grego Giannis Antetokounmpo, o sérvio Nikola Jokic e o francês Rudy Gobert talvez acabem simbolizando uma inversão de papeis no basquete internacional.

Em outros anos, com tanto talento à disposição, os Estados Unidos podiam ignorar o fator entrosamento e lançar mão da quantidade abundante de atletas muito acima da média para vencer os jogos praticamente na individualidade. Mesmo que não houvesse tanta coesão em quadra, a quantidade de talento bruto de 12 indivíduos americanos costumava ser suficiente para superar qualquer adversário que resolvesse complicar um pouco mais as coisas. Mas após uma série de desistências dos principais nomes da NBA, os americanos agora têm um elenco desentrosado e também sem um comandante testado mundialmente. São muitos jovens buscando crescer a própria marca, subir de grife na hierarquia do basquete mundial. Por outro lado, as equipes do resto do mundo, principalmente as europeias, sempre se caracterizaram por um jogo coletivo, que tentava diminuir o ‘gap’ em talento aproveitando-se da organização e dos anos jogando junto. Elas continuam assim, mas agora podem também ter o melhor jogador em quadra, mesmo se estiverem diante dos atuais bicampeões mundiais, aqueles amplamente considerados por todos como um time imbatível.

A inversão de papeis citada dois parágrafos atrás aconteceria no momento em que os fãs do basquete talvez estejam mais curiosos por essa Copa do Mundo para ver, por exemplo, o jogador mais valioso da última temporada da NBA, o grego Giannis Antetokounmpo, do que para ver os Estados Unidos. Como seria um duelo entre as duas forças? Os Estados Unidos estariam dispostos a assumir que não seria possível vencer apenas com individualidades? E por outro lado, será que os gregos deixariam um pouco de lado o estilo habitual e apostariam todas as fichas na capacidade física dominante de Antetokounmpo? Felizmente (para os fãs), isso não deve demorar para acontecer. Os Estados Unidos estão no grupo E, enquanto a Grécia está no grupo F. Passando à fase seguinte, que também será de grupos, os dois se juntariam no grupo K. Quem pode acompanhar os dois é o Brasil, que também está no grupo F e encara a Grécia na terça-feira, dia 3, às 9h de Brasília. Talvez o Brasil acabe sendo a prova de qual veneno é mais letal. O do talento individual ou coletivo. Só que agora essas “fórmulas” vêm de personagens trocados. 

Por Igor Santos