Antes eu só conhecia a Amazônia por ouvir falar e pelos livros, mas, depois de três anos servindo lá, posso dizer que a conheço, pelo menos em parte, ao vivo e em cores.

Assim que cheguei no minúsculo aeroporto de Tabatinga, em 1994, após sobrevoar desde Manaus extensa faixa de floresta e rios, cheguei finalmente no Comando de Fronteira do Solimões/8º BIS (8º Batalhão de Infantaria de Selva), onde havia uma inscrição “Aqui começa o Brasil”. Logo descobri que o expediente era mera questão de tempo: o sol demora a se pôr no Solimões […].

A maioria da população é descendente de índio, sendo muito dependente das Forças Armadas. A ligação do quartel e do Hospital era muito grande com a COMARA (COMISSÃO DE AEROPORTOS DA REGIÃO AMAZÔNICA) e a Capitania dos Portos, visando ações conjuntas para atender as necessidades locais. A prefeitura constituída era muito acanhada e deficiente em meios. Havia muito o que fazer por aquele povo.

Somente ideias e atitudes poderiam ajudar a mudar a realidade da região. Tanto é verdade que a maioria dos atendimentos hospitalares era da população civil, sendo o batalhão encarregado de auxiliar na evacuação aérea, transporte de suprimentos e pessoal, em estreita ligação com a Força Aérea.

O batalhão possuía uma horta, uma olaria para a fabricação de telhas e tijolos para o município. Além de combater o narcotráfico, junto à Polícia Federal, por meio de patrulhamento constante, a missão também era civilizatória.

O Pelotões Especiais de Fronteira e seu entorno se transformariam em pequenas vilas de povoamento do território nacional, prestando eventual apoio à população civil.

O pessoal de fora é que deveria, na sua adaptação, sem ameaçar a ordem natural das coisas, respeitar os valores e a tradição cultural locais, mesmo muitas vezes tão discrepantes das regiões de origem. Ficava a dúvida machadiana: muda a Amazônia ou mudo eu? Na realidade nunca mudei, apenas me adaptava aos usos e costumes. A nossa contribuição voluntária é que deveria fazer a diferença naquele mundo.

Politicamente havia uma oligarquia regional composta por madeireiros e comerciantes, que normalmente empregava o grosso da massa laboral, exercendo o domínio político das pessoas […].

As ações nesta região visam o bem comum: as pessoas é que deve ser a prioridade e não os bens cobiçados pelos estrangeiros. Não se pode admitir mais uma região tão rica com um povo tão pobre. A Amazônia é nossa e temos o sagrado dever de manter a soberania sobre ela.

Você sabia? O Brasil tem os melhores guerreiros de selva do mundo, é a maior potência militar da América Latina e 2ª das Américas, perdendo apenas para os EUA.

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados de conquistá-la e mantê-la.” (Gen Ex Rodrigo Octávio Jordão Ramos).

Isaac Carreiro Filho (em memória)
Titular do Coluna Patriota Isaac escreveu para o Jornal do Rebouças 160 textos no período de 2018 a 2021. Era Tenente-Coronel do Exército Brasileiro, bacharel em Ciências Militares pela AMAN, bacharel em Administração pela UFSM, especialista em Comunicações pela EsCOM, Mestre em Operações Militares pela EsAO, extensão em Política e Estratégia pela ADESG, Análise e Desenvolvimento de SI Gerenciais pelo ISPG, Curso Livre em Teologia pelo ITQ Água Verde, patriota da LDN-PR e palestrante. Faleceu aos 66 anos, vítima da Covid-19.