Em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorada em 20 de novembro, procura-se trazer à baila alguns aspectos desapercebidos no tempo, procurando ressaltar as contribuições da raça negra, dentre elas a da sabedoria, entendida aqui como instinto de sobrevivência.

Longe de considerar a senzala como um abandono, insegurança e tristeza, fruto de desigualdade, injustiça e marginalização, aponta-se como um lugar de renovo, esperança, proliferação cultural, elementos aparentemente estranhos, numa sociedade preconceituosa que via o negro somente como uma máquina servil.

Os negros contribuíram com diferentes manifestações culturais brasileiras como na culinária, música, dança, artesanato, artes marciais, vocabulário.

Há sabedoria por trás de diversas expressões que denomino sabedoria da senzala. Face à repressão do sistema escravagista que lhes tirava a liberdade, os negros, muitos deles nobres em suas raízes, tiveram que se adaptar e desenvolver sistemas de defesa que lhes garantisse alguma sobrevivência.

Daí surgirem expressões do tipo: Vi um branco falar; Eles que são brancos que se entendam; Isto é coisa para inglês ver; Em boca calada não entra mosca; Cala-te boca; Batuque na cozinha sinhá não quer; Não compre briga que não é sua; Fica na sua; Nego bom não se mistura, minha neguinha […].

Vem à mente o famigerado poema de Manuel Bandeira, intitulado “Irene no Céu”:

“Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

– Licença, meu branco

E São Pedro bonachão:

– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.”

Aqui homem ao octogenário Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé. Mesmo convocado para a seleção brasileira de futebol, cumpriu o dever de cidadão servindo à pátria como soldado no então 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, Praia Grande, SP. Era chamado de Neguinho por João Saldanha. “Orgulho de ser brasileiro, orgulho de ser negro.” (Pelé).

O negro Henrique Dias, mestre-de-campo e cavaleiro da Ordem de Cristo, nas Invasões holandesas do Brasil, ajudou a expulsar os batavos em Guararapes.

Os negros brasileiros também se destacaram na Guerra do Paraguai como Voluntários da Pátria, tendo grandes laços com o Exército, um dos incentivadores do Abolicionismo.

Expressões consideradas racistas atualmente: denegrir, mercado negro, magia negra, lista negra, ovelha negra, da cor do pecado, criado-mudo, tuas negas, domésticas.

“… A miscigenação é uma marca no Brasil. Ninguém é melhor do que ninguém por conta de sua cor, crença, classe social ou opção sexual.” (Bolsonaro, 7 out.2020. “O politicamente correto é um saco.” (Glória Maria).

Se existe o problema do racismo no Brasil ele deve ser tratado sem frescuras e sem oportunismos. (Augusto Nunes) O problema no país não é a cor da pele, mas socioeconômico.

Reflexão: “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.” (Martin Luther King).

Isaac Carreiro Filho (em memória)
Titular do Coluna Patriota Isaac escreveu para o Jornal do Rebouças 160 textos no período de 2018 a 2021. Era Tenente-Coronel do Exército Brasileiro, bacharel em Ciências Militares pela AMAN, bacharel em Administração pela UFSM, especialista em Comunicações pela EsCOM, Mestre em Operações Militares pela EsAO, extensão em Política e Estratégia pela ADESG, Análise e Desenvolvimento de SI Gerenciais pelo ISPG, Curso Livre em Teologia pelo ITQ Água Verde, patriota da LDN-PR e palestrante. Faleceu aos 66 anos, vítima da Covid-19.