A Sabedoria do Bambu

Depois de receber um nome e criar uma identidade, as crianças começam a julgar o mundo à sua volta. Com discernimentos de certo/errado, bom/ruim, devo ou não devo, as crianças são levadas para longe da unidade que reside em seus corações. Apenas o coração é capaz de discernir a verdade que repousa no coração de cada momento; ele não é capaz de tomar decisões baseado na avaliação de dados. A mente, ao contrário, juíza e avaliadora de dados, somente é capaz de perceber dualidade.

Localizado no meio do caminho entre a Água e o Fogo, a Madeira deve fusionar esses opostos aparentes em uma só energia. Porém, quando nossos condicionamentos habituais e marcas cármicas tomam conta, perdemos essa unidade original e a mente entra em jogo procurando explicações e razões para tudo o que percebe. Cortada dos recursos da intuição que proporciona o Fogo (Coração), a mente governa sozinha e isolada. É o elemento Madeira que é o responsável pela nossa qualidade de Visão e transita equilibradamente entre ambas; dualidade e unidade, na vida.

MADEIRA EM EQUILÍBRIO

O bambu oferece um modelo perfeito de crescimento saudável na natureza. Ele deriva a sua força de sua vacuidade, enraizamento e flexibilidade. Quando um vento sopra, o bambu se inclina na exata proporção da força do vento soprante. Seu enraizamento o permite ceder sem se romper e sua vacuidade representa desapego do momento de dificuldade porque sabe que esse vento na verdade o está ajudando a continuar crescendo e alcançar seu objetivo. Logo, essa vacuidade se aplica no sentido de não lutar contra a direção que está sendo tomada momentaneamente.

Nós podemos resistir e ficarmos frustrados quando nos deparamos com obstáculos ao perseguir objetivos. Se inspirar na virtude do bambu é permanecer calmo e desapegado dos desvios momentâneos do nosso curso enquanto mantemos uma visão assertiva do quadro geral.

Quando o vento acalma, o bambu imediatamente se ergue reafirmando seu propósito e perseguindo seu caminho. Exibindo a virtude da benevolência e generosidade, o bambu não carrega nenhum rancor do vento, mas continua desimpedido na sua jornada rumo ao Céu.

Texto de: Fernanda de Castellano

Terapeuta acupunturista e proprietária da Estação de Arte e Cura Sereni Gayatri, com o propósito de amparar sua jornada e elevar a consciência.