Fatores humanos estão envolvidos em 93% dos acidentes de trânsito. As pesquisas mostram que a fadiga física e mental, restrição de sono e situações de monotonia aumentam a sonolência em motoristas, a tal ponto que podemos afirmar que dirigir sonolento é tão ou mais perigoso que dirigir sob o efeito de álcool! Dezenove horas sem dormir equivalem a 6 copos de cerveja ou 3 copos de vinho para um homem de 90kg. Vinte e quatro horas sem dormir equivalem a 12 copos de cerveja ou 6 copos de vinho! Some-se à restrição de horas, a presença de doenças do sono que causam fragmentação e diminuição da sua qualidade, como a apneia do sono. Excesso de velocidade e imprudência, uso de drogas, más condições das estradas e falta de manutenção veicular são outros fatores agravantes. Há leis rígidas para punir motoristas que dirigem alcoolizados, mas não para aqueles que dirigem privados de sono e pequenos lapsos de atenção em episódios de microsono podem ser fatais!

Pesquisas nacionais registram cerca de 17 a 19% das mortes nas estradas porque algum motorista dormiu enquanto dirigia; 6.421,32 mortes/anuais no trânsito relacionadas a sonolência ao volante – cerca de 17,60 óbitos/dia; um custo/ano de R$ 704.476.595,88 (setecentos e quatro milhões, quatrocentos setenta e seis mil e quinhentos e noventa e cinco reais e oitenta e oito centavos) para a sociedade brasileira.

O ser humano tem susceptibilidade a 2 períodos de maior sonolência ao longo das 24 horas, acompanhando as variações da nossa temperatura corporal. Geralmente, a nossa temperatura corporal tem uma diminuição muito grande (eficiência no trabalho também) no período da noite, a partir das 22h caindo progressivamente até as 4h30min da manhã. Ela aumenta a partir das 6h da manhã, com um pico por volta de 12h. Logo depois, das 12h até às 14h ela vai reduzir novamente e é por isso que surge uma sonolência depois do almoço. Em resumo, entre 03-05h temos o mínimo de temperatura, máximo de sonolência e pior desempenho mental e físico; entre 13-15h aumento da sonolência diurna e dificuldade para ficar alerta e as taxas de acidentes aumentam nestes horários.

Sabe-se que o débito agudo de sono (menos que 7h/noite) compromete a concentração, humor, tempo de reação, vigilância, motivação, memória, julgamento, entre outras funções. A piora no desempenho se acentua com restrição crônica do sono. Esta privação aumenta o tempo de reação, prejudica os reflexos, leva a lapsos de atenção e diminui a habilidade motora fina, todos essenciais para uma direção segura e não adianta dirigir com o som alto, vidros abertos e vento no rosto. Fica a dica: respeite sua necessidade de dormir e não dê carona à sonolência!

Dr. Fernando Mariano
Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono. Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR. Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO). Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira. Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira. Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR. Membro da International Surgical Sleep Society.