A busca pelo conhecimento das necessidades e anseios do consumidor sempre foi um sonho para o Marketing, que precisa fornecer às empresas dados e informações para a tomada de decisões na produção de produtos e serviços, cada vez mais crescente na modernidade. […].

Mas, é lícita a obtenção e utilização de dados sobre compras, lugares onde as pessoas frequentam, hobbies e outros dados e informações pelas empresas, principalmente as gigantes, por meio do uso de aparelhos eletrônicos sem que as pessoas percebam ou tenham autorizado a sua utilização? […].

Capitalismo de vigilância é um termo utilizado e tornado popular por Shoshana Zuboff que mostra um novo gênero de capitalismo que transforma dados adquiridos por vigilância. […].

Ela afirma que foi descoberto e consolidado pela Google e depois adotado pelo Facebook e outros, utilizando mecanismos ilegítimos de extração e mercantilização e controle de comportamento para produzir novos mercados que preveem o comportamento e a modificação de comportamento.

O mundo on-line, que era gentil com o mundo agora é onde o capitalismo está desenvolvendo novos meios, por meio da extração de dados em vez da produção de novos bens, produzindo intensas concentrações de poder pela extração e ameaçando o núcleo de valores como a liberdade.

A professora Zuboff identificou quatro características principais na lógica de capitalismo de vigilância, seguindo as quatro características levantadas pelo chefe de economia do Google: direção através de mais e mais extração de dados e análise; desenvolvimento de novas formas contratuais usando monitoramento computacional e automação; desejo de personalizar e customizar os serviços oferecidos para os usuários de plataformas digitais; uso de infraestrutura tecnológica para executar experimentos futuros em seus usuários e consumidores. […].

A questão é: Dominaremos a informação ou seremos escravos dela? A indústria digital prospera extraindo dados pessoais e vendendo aos anunciantes previsões sobre o comportamento dos seus usuários. Entretanto, para que os lucros continuem crescendo, prognósticos devem ser cada vez mais assertivos. Para tanto, não é necessário apenas prever, mas transformar os comportamentos humanos.

Portanto, o Capitalismo de Vigilância é uma mudança do capitalismo que utiliza uma incontável quantidade de dados que usuários fornecem gratuitamente a empresas de tecnologias, transformando-a em produtos e serviços altamente lucrativos. […].

É uma expropriação dos direitos humanos mais basilares, como a autonomia e a liberdade. A capacidade de transformação dos comportamentos dos usuários gera um novo tipo de poder, o instrumentalismo, que se pode comparar com os regimes totalitários do século 20.

(Baseado no trabalho “Capitalismo de Vigilância”, de Christina Marques Carreiro. Curso de Direito. UNICURITIBA, 2020).

Isaac Carreiro Filho (em memória)
Titular do Coluna Patriota Isaac escreveu para o Jornal do Rebouças 160 textos no período de 2018 a 2021. Era Tenente-Coronel do Exército Brasileiro, bacharel em Ciências Militares pela AMAN, bacharel em Administração pela UFSM, especialista em Comunicações pela EsCOM, Mestre em Operações Militares pela EsAO, extensão em Política e Estratégia pela ADESG, Análise e Desenvolvimento de SI Gerenciais pelo ISPG, Curso Livre em Teologia pelo ITQ Água Verde, patriota da LDN-PR e palestrante. Faleceu aos 66 anos, vítima da Covid-19.