“Na penumbra da capela, um jovem escudeiro presta a vigília de armas. Pede que Deus lhe dê forças para desprezar o repouso e amar a luta, honrar a palavra empenhada e auxiliar o próximo, defender os fracos e as mulheres, ser desprendido e corajoso, porque só assim se é cavaleiro “sem medo e sem mácula”, orgulho de sua família, de seu rei e de seu tempo.

Chega a madrugada e termina a vigília. Um cavaleiro mais idoso, príncipe ou alto barão, se aproxima e lhe entrega as armas. Ajoelha-se o jovem e recebe três vezes o golpe da espada sobre a nuca, como se o velho lhe quisesse transmitir a experiência de mil combates. Sagra-se o novo cavaleiro. E lá vai ele, transpassar com a lança a Quintana, para mostrar que adquiriu perícia e vigor. E sai pelo mundo, valoroso defensor dos oprimidos, num mundo de opressão, num mundo onde só a força contava, ele sabia ser e ensinar a ser padrão de direito, paladino da lealdade e da justiça. Ao vê-los, jovens alunos da escola preparatória de cadetes e jovens recrutas que aqui fazem o serviço militar prestarem o solene juramento, ocorre-me o paralelo com senas medievais da sagração de cavaleiros. Jovens, vocês são como escudeiros, a vigília d’armas. Vocês a substituem por meses de estudo, trabalho e preparo físico em que se empenharam, desde o dia em que cruzaram os portões desta casa. O gesto de tocar-lhes com a espada não é mais necessário. Marcando a espontaneidade de sua opção, vocês levantaram o braço direito no ato sagrado e se ungiram, novos cavaleiros, novos soldados da Pátria. Como eles, um dia vocês se irão. Num mundo de descrença, semearão a fé.

Num mundo de imediatismo, mostrarão a grandeza dos valores eternos, porque vocês também serão paladinos da lealdade e da justiça, de confiança e de correção.” (Discurso do ex-aluno Marco Antonio Amaro dos Santos, atual Comandante Militar do Sudeste, extraído da revista de formatura da Turma Bicentenária de Campinas, EsPCEx).

Ao prestarem o solene juramento à bandeira os militares prometem cumprir rigorosamente as ordens das autoridades e defender as instituições, até com sacrifício da própria vida.

Da próxima vez que ver um militar tenha a certeza de que está diante de uma pessoa de confiança, defensor da pátria, “Cavaleiro Templário da Modernidade”, verdadeiro herói do povo brasileiro.

Titular do Coluna Patriota Isaac escreveu para o Jornal do Rebouças 160 textos no período de 2018 a 2021. Era Tenente-Coronel do Exército Brasileiro, bacharel em Ciências Militares pela AMAN, bacharel em Administração pela UFSM, especialista em Comunicações pela EsCOM, Mestre em Operações Militares pela EsAO, extensão em Política e Estratégia pela ADESG, Análise e Desenvolvimento de SI Gerenciais pelo ISPG, Curso Livre em Teologia pelo ITQ Água Verde, patriota da LDN-PR e palestrante. Faleceu aos 66 anos, vítima da Covid-19.