Mesmo com campanhas de orientação e o aprimoramento de mecanismos de promoção e defesa, o enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo um grande desafio para os gestores públicos. Em 2012, Curitiba ocupava o 4° lugar no ranking das capitais com maior número de assassinatos de mulheres. No ano passado, caiu para a 18ª posição, conforme pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Por outro lado, municípios da Região Metropolitana passaram a constar entre as primeiras posições das pesquisas.

Dados como esses e o contexto da mulher na sociedade foram temas de atenção da palestra realizada pela secretária municipal da Mulher, Roseli Isidoro, na manhã desta segunda-feira (07), na sede da Embrapa Florestas (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A palestra foi a primeira de uma série de ações a serem realizadas durante este mês de março, que tem no dia 08 o Dia Internacional da Mulher.

“A violência é um entre os 10 eixos estratégicos definidos no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. As pesquisas mostraram que deveríamos atuar fortemente no combate à violência”, lembrou a secretária. Roseli destacou que a partir desses dados preocupantes, e somente nesta gestão, o prefeito Gustavo Fruet instituiu a Secretaria Municipal Extraordinária da Mulher. “Das capitais, fomos a última a criar uma instância específica para a mulher, mas já estamos nos tornando referência pela vontade política”, afirmou a secretária.

Ações Municipais

Roseli lembrou que, um ano após a criação da Secretaria Municipal da Mulher, o prefeito assinou a adesão ao Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Centrados no combate à violência e na promoção da Mulher foram criados diversos programas e mecanismos para a aplicação da Lei Maria da Penha.

Um exemplo é o “Busão Sem Abuso”. A campanha, realizada em parceria com outras secretarias municipais e a Guarda Municipal, focou na orientação pública para a denúncia e o atendimento de mulheres que sofrem qualquer tipo de abordagem inadequada nos ônibus urbanos. Outro projeto é a Patrulha Maria da Penha. A conquista mais recente será a Casa da Mulher Brasileira, que deverá reunir em um mesmo local os serviços para o atendimento a mulheres vítimas de violência, além de suporte jurídico e social e servir como casa de passagem. A Casa será inaugurada no final deste mês.

“A tendência é que ocorram mais denúncias. Muitas mulheres deixam de denunciar porque não têm para onde ir, por temer novas violências, a maior parte delas realizada por maridos, companheiros ou namorados”, disse Roseli. A secretária afirmou que com a instituição da secretaria, por meio dos programas desenvolvidos pelo Município, já foram realizados mais de 6 mil atendimentos a mulheres, cerca de 3,5 mil estão sob monitoramento e aproximadamente 87 flagrantes contra mulheres foram efetuados.

A auxiliar de limpeza Jaci Brito Machado, de 37 anos,  disse reconhecer a importância do que tem sido feito até agora, principalmente sobre a violência. “É um apoio a mais para as mulheres. Entendi que devemos denunciar e não ficar caladas”. A colega de trabalho Jucieli Freitas, de 28 anos, também considerou que as políticas públicas muito importantes. “Se nada for feito, nunca a mulher teria defesa”, ponderou.