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sexta-feira, 11 setembro 2026

Diabetes cresce no Paraná e expõe desafio de ampliar cuidado para além do diagnóstico

O diabetes se tornou uma questão de saúde pública. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos que relatam diagnóstico médico de diabetes nas capitais brasileiras chegou a 12,9% em 2024, contra 8,2% em 2019. Entre pessoas com 65 anos ou mais, passou de 22,9% para 31,4%.

No Paraná, o impacto também aparece nos serviços de saúde. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, somente em 2024 foram registrados 2,4 milhões de atendimentos individuais a pessoas com diabetes na rede estadual e 4.266 mortes relacionadas à doença. Em Curitiba, cerca de 30 mil pessoas com diabetes dependentes de insulina são acompanhadas pela Atenção Primária e receberam novos glicosímetros em uma iniciativa que integra as medições ao prontuário eletrônico.

Em 2026, Curitiba começou a ampliar o acesso à insulina Glargina. Desde março, 1.335 pacientes eram atendidos pelo projeto-piloto. São avanços importantes, mas o desafio continua: cuidar de quem tem diabetes exige acompanhamento contínuo, medicamentos, insumos, tecnologia e prevenção.

É nesse ponto que a história de Giovanni Cosenza se mistura ao debate público. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos oito anos, ele convive há décadas com uma doença que exige atenção permanente. Uma complicação o levou a uma cirurgia para recuperar a visão. O tratamento que precisava não estava disponível pelo SUS.

“Eu tive acesso ao tratamento, mas comecei a pensar em quem não teria a mesma possibilidade”, afirma Giovanni. A experiência passou a orientar uma preocupação política: como garantir que o acesso ao cuidado não dependa da capacidade de pagar.

A história familiar tornou essa discussão ainda mais profunda. Em 2024, Giovanni perdeu a irmã, Renata, para complicações relacionadas ao diabetes. A perda reforçou uma convicção que está entre as razões que o levaram à política: diabetes não pode ser tratado apenas como uma questão de glicemia. É preciso pensar em prevenção, acompanhamento, medicamentos, insumos e novas tecnologias.

“Saúde nunca foi assunto de relatório para mim. É uma parte da minha vida”, resume.

A proposta de Giovanni parte dessa experiência: fortalecer a linha de cuidado do diabetes no Paraná, aproximando assistência, ciência e tecnologia. Entre as ideias estão ampliar o monitoramento da glicose, prevenir complicações, melhorar o acesso a medicamentos e aproximar universidades, pesquisa e SUS.

Para Giovanni, a discussão começa por uma mudança simples: olhar para quem vive com diabetes não apenas quando surge uma complicação, mas durante toda a trajetória da doença.

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EDIÇÃO IMPRESSA Nº 146 | AGOSTO/2026

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