Este é um dos milhares de “MEMES” da internet que retratam a perspicácia e a criatividade dos brasileiros. E será que procede? Em grande medida sim, já que Curitiba é conhecida, informalmente, como a “capital da rinite”. Cabe ressaltar, inicialmente, que o termo rinite ou rinosinusite (inflamação no nariz e seios da face) engloba muitas patologias e nem sempre são de fundo alérgico exclusivo. Por exemplo, a grande oscilação de temperatura no mesmo dia em Curitiba, com uma amplitude térmica alta e com instabilidade de tempo, às vezes seco, às vezes úmido, gera respostas inflamatórias na mucosa nasal, por si só, naqueles que tem um tipo de rinite descrita como vasomotora. Podem piorar ou se sobrepor à rinite daqueles que respondem exageradamente aos alérgenos ambientais – “os alérgicos” – (poeira, pólenes, fâneros de animais, gramíneas, fungos etc). De qualquer forma, estas rinosinusites incomodam e debilitam o sono e as atividades diárias por causa de crises de obstrução nasal (entupimento), coriza, espirros (algumas vezes o paciente espirra mais 20 vezes seguidas) e coceira no nariz. E essa coceira pode ser na garganta ou nos olhos também.

Diversas condições, desde genéticas da população e climáticas convergem para esta alta incidência de rinite: somos uma cidade razoavelmente grande e populosa e que tem um nível de poluição ambiental proporcional que piora os quadros relacionados à saúde respiratória como um todo. Podemos acrescentar que somos uma capital com baixa incidência e exposição de luz solar predispondo à proliferação e disseminação de mofo e ácaros. Além de tudo isso, também temos uma cobertura verde na cidade muito bem espalhada e que, na primavera, auxilia na dispersão de um outro alérgeno, o pólen.

E verdade seja dita, a prevalência das doenças alérgicas (rinite alérgica e asma) têm aumentado em nível global. E as pesquisas científicas têm confirmado a hipótese de que rinite e asma são a expressão de uma única doença que acomete o trato respiratório – “via aérea única”. Aproximadamente 80% dos asmáticos têm rinite alérgica e 40% dos pacientes com rinite têm asma. Mais um motivo para cuidarmos bem da rinite: evitar a manifestação de uma asma.

A dica final é: procure seu médico especialista para identificar em qual tipo de rinite você se encaixa e para individualizar seu tratamento, que vão desde sprays nasais até vacinas (imunoterapia). Há como controlar o problema e ganhar em qualidade de vida. E evite a automedicação, sobretudo com os vasoconstritores nasais, que podem ser muito perigosos para sua saúde!

Dr. Fernando Mariano
Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono. Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR. Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO). Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira. Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira. Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR. Membro da International Surgical Sleep Society.