Segundo Machado de Assis “A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto.” Fica claro que não é a sociedade culpada pelo ladrão, como muitos querem firmar doutrina contrária. Bela frase machadiana para ilustrar o que vem ocorrendo até hoje no país.

O desejo da perpetuação no poder, aliada à Revolução Gramsciana (que não deu certo em lugar nenhum), a reiterada tentativa de desconstrução dos valores judaico-cristãos, da família, a polarização intencional para dividir as pessoas, a falta de civismo, e até o desarmamento da população, esquecendo-se de que o primeiro baluarte da defesa do cidadão é ele mesmo, tem enfraquecido a coesão nacional.

Como uma das consequências da corrupção endêmica que assola o Brasil, foi o empobrecimento em larga escala da população, com reflexos negativos principalmente na saúde, na educação e na segurança. “Lugar de bandido é cumprindo pena, não tenho bandido de estimação.” (Augusto Nunes). A corrupção é o pior dos vírus.

O arcabouço jurídico brasileiro, com leis anacrônicas, infindáveis recursos protelatórios, quase sempre só favorecem os infratores e a impunidade. Alerta-se que a insegurança jurídica é um dos fatores que prejudicam o país em todos os setores.

A certeza da impunidade levou a este estado de coisas, onde até assessores se beneficiaram com férias nababescas, duplex, casa na praia, sítios, fazendas, imóveis na cidade, carros e motos na garagem, de difícil comprovação de ilícitos.

Os deuses e semideuses do Olimpo e sua trupe devem entender, de uma vez por todas, que o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido.

A polícia ter retaguarda jurídica não significa dizer que tenha o direito de matar indiscriminadamente. O problema é que bandidos se organizam e se infiltram na comunidade exatamente para dificultar o combate ao crime.

“O país não aguenta mais tanta corrupção” (Jair Bolsonaro) e o congresso tem trabalhado com certa lentidão. Como a política é a arte do possível, espera-se que as atitudes dos políticos sejam mais éticas e transparentes, mais voltadas para o bem comum, para os interesses do Brasil e não somente para os interesses próprios.

Na educação, por exemplo, o país chega a pagar vexame em comparação com vizinhos, devido à baixa qualidade do ensino. Os estudantes brasileiros leem e não entendem o que leem. Formam-se analfabetos funcionais […].

Mas, “lucros desonestos é igual a prejuízo.” (Erasmo de Roterdã). Daí a importância da continuidade do combate à corrupção. A sociedade deve estar atenta aos conluios que tentam inocentar ladrões consagrados do dinheiro público a todo custo.

Isaac Carreiro Filho
Tenente-Coronel do Exército Brasileiro, bacharel em Ciências Militares pela AMAN, bacharel em Administração pela UFSM, especialista em Comunicações pela EsCOM, Mestre em Operações Militares pela EsAO, extensão em Política e Estratégia pela ADESG, Análise e Desenvolvimento de SI Gerenciais pelo ISPG, Curso Livre em Teologia pelo ITQ Água Verde, patriota da LDN-PR, colunista e palestrante.