Há três quarto de século, ainda ouvia-se falar indiscriminadamente em neuróticos de guerra quando se referia a ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB).  Depois de serem testemunhas oculares dos horrores da guerra, muitos pracinhas, quando retornaram ao país, preferiram um local de retiro até mesmo isolado do restante da população.

Documento histórico raro é um artigo intitulado “Representantes da FEB respondem a Sylvio Back”, cineasta que atacou de frente a FEB, pondo em questão sua importância na Itália.

Indignados, veteranos e representantes da Legião Paranaense do Expedicionário se manifestaram: “A presença brasileira na Itália foi efetiva […]. A tomada de Montese, pela FEB, representa uma das mais destacadas ações militares, porque dela resultou o sucesso da ofensiva americana […]. Mas, a percepção atual é de reconhecimento e gratidão.

Conheci o Major Jonas, que optou em viver em um sítio retirado de Mangaratiba, RJ.  O local era calmo, sem o costumeiro barulho da cidade, um convívio equilibrado com a natureza. O lugar marcou parte da minha infância, pois quando fomos visitá-lo também havia um grupo de jovens da igreja, que animava o ambiente, com instrumentos musicais, cantos e orações, além da leitura de um “relatório” no final do dia, que entregava todos os convivas […].

O Major Jonas, ex-integrante do 2º RI, Regimento Sampaio, evitava falar sobre a 2ª GM, mesmo porque perdeu companheiros da caserna. No entanto, conseguimos visitar uma sala reservada de material da guerra, inclusive dos alemães, trazido da Itália: medalhas, mapas, armamentos, a temida metralhadora “Lurdinha”, capacetes, bússola, etc.

Quase trinta anos depois, já servindo no 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, Praia Grande, SP, conheci e convivi com o famigerado Capitão Galileu, de Comunicações, que tinha autorização para andar fardado e prestar serviços no quartel. Jogava basquete, costume que adquiriu com os americanos durante a guerra na Itália […].

Sempre bem-humorado, trazia assuntos novos para a reunião de oficiais, normalmente jornalísticos. Gostava de fazer pegadinhas, obrigando os oficiais a manterem-se atualizados para discussão, durante o briefing matinal com o comandante. […].

Quando puder, aproveite para visitar o Museu do Expedicionário. Contatos: (41) 3362 8231, mexp@seec.pr.gov.br, www.museudoexpedicionario.5rm.eb.mil.br

Horários de visitação: De 3ª a 6ª feira: 09 às 12 e das 14 às 17 h. Sab, Dom e Feriados: 10 às 12 e das 14 às 17 h. Visitas guiadas podem ser agendadas mediante contato prévio e a entrada é franca.

Sugere-se a consulta periódica aos sites www.jornaldoreboucas.com.br, www.eb.mil.br e www.5de.eb.mil.br. Neste último você poderá encontrar a coletânea de artigos FEB-75 ANOS DE GLÓRIA, com as histórias dos Heróis brasileiros e o que viveram para contar.

Isaac Carreiro Filho (em memória)
Titular do Coluna Patriota Isaac escreveu para o Jornal do Rebouças 160 textos no período de 2018 a 2021. Era Tenente-Coronel do Exército Brasileiro, bacharel em Ciências Militares pela AMAN, bacharel em Administração pela UFSM, especialista em Comunicações pela EsCOM, Mestre em Operações Militares pela EsAO, extensão em Política e Estratégia pela ADESG, Análise e Desenvolvimento de SI Gerenciais pelo ISPG, Curso Livre em Teologia pelo ITQ Água Verde, patriota da LDN-PR e palestrante. Faleceu aos 66 anos, vítima da Covid-19.