O fato de ser professor no Brasil já pode ser visto como um ato de heroísmo, em meio a tanta dificuldade, e, mesmo assim, os professores ainda sobrevivem levando informação e conhecimento aos estudantes das mais variadas idades e distancias.

Uma das grandes dificuldades encontradas pelos professores na educação é a falta de engajamento dos estudantes e os diferentes perfis em sala de aula.

Uma sala de aula é heterogênea e os desafio são muitos, como por exemplo, as distrações e a falta de engajamento, o bullying entre os estudantes, a dificuldade de leitura dos alunos, problemas sociais, casos de abuso e violência doméstica, e a necessidade de estimular as competências e habilidades atuais.

A carga horária excessiva de aulas em busca de uma remuneração decente, faz com que o tempo para preparação seja reduzido, logo, o impacto na preparação dos conteúdos é significativo. Outra questão, é a necessidade de inclusão da tecnologia como ferramenta de ensino, que, em muitos casos, é introduzida sem a preparação adequada do professor. Em alguns casos, tendo pouco suporte e estrutura adequada acaba cometendo erros na execução.

É preciso paciência, persistência, empatia e muito amor pela profissão. Além da desvalorização já banalizada, a falta de apoio da sociedade que não se coloca ao lado dos professores em suas reivindicações, o salário sempre abaixo das demais carreiras que ajudamos a formar, são alguns dos muitos aspectos que enfrentamos ano após ano e sem perspectiva de melhoras.

A cada ano, mais profissionais se aposentam, outros mudam de profissão atraídos por melhores ofertas de trabalho. O professor não tem respaldo, é pouco representado, e as decisões mais importantes sobre o seu futuro ficam nas mãos de políticos interesseiros que nunca vivenciaram a realidade de uma sala de aula.

Para piorar a situação, a própria categoria não se entende quando coloca ideologias acima dos interesses coletivos. Alguns professores se colocam contra pautas e reivindicações que beneficiam a todos, além de, não prestigiarem seus próprios colegas ao longo da carreira. A desunião da classe acaba prejudicando a todos, pois não possuímos uma representatividade mínima no parlamento brasileiro, o que provoca entraves em discussões, aprovação de projetos e políticas públicas em prol da educação.

A verdade é que, os professores precisam chegar a um consenso de que, somente a sociedade pode reafirmar a nossa importância e, assim, poderemos ser valorizados e em consequência respeitados.

Renato da Costa é graduado em Administração, pós-graduado em Administração Estratégica, Mestre e Doutor em Administração, com estágio de Pesquisa e Docência na Universidad Jaume I no Sul da Espanha em 2017, Pós-Doutorando em Gestão Urbana. É membro da ACCUR-Academia de Cultura de Curitiba, membro associado da Academia Paranaense da Poesia, professor há 17 anos, escritor.