Houve um tempo em que a profissão de professor era sinônimo de autoridade, sabedoria, conhecimento e respeito, um exemplo a ser seguido por todos.

Aventureiros sequer ousavam estudar de maneira disciplinada a fim de se tornar um professor e fazer parte da história de muitas crianças e adolescentes.

O fato é que, já não se sabe mais quando foi esse tempo, ou se em algum dia, ele realmente existiu.

Nós professores passamos grande parte de nossas vidas dedicando-nos a leitura, a escrita, a pesquisa e a preparação dos nossos materiais.

Muitos nos contestam é bem verdade, fruto é claro de alguns maus profissionais que estão presentes em toda e qualquer profissão. A verdade é que, em sua grande maioria esmagadora, o professor é extremamente dedicado, busca inspiração nas coisas mais simples possíveis e tenta traduzi-las aos seus alunos de maneira pedagogicamente correta.

Nas últimas décadas, os professores têm sido alvo cada vez maior da desvalorização e da depreciação de sua carreira. Nossa atividade parece mais sacerdotal, que se mistura com o magistério.

Ter uma boa formação parece não ser o objetivo de uma parte da sociedade brasileira, em especial dos jovens que não se interessam pela nossa profissão, tão pouco enxergam nela possibilidades de ascensão social, pois a carreira é achatada, ou seja, mesmo sendo um excelente profissional dificilmente crescerá mais rápido que seus colegas de trabalho.

A educação se faz com diálogo entre os professores e o poder público, quem mais do que nós sabemos as reais demandas e necessidades? Por outro lado, os próprios professores também não colaboram, sobretudo, na escolha dos seus representantes legais.

Muitos defendem com garra a educação e o estudo, porém, manifestam apoio a quem não é nem de longe adepto a nossa causa, um professor de verdade. Acabam ficando ao lado de simpatizantes da educação, pessoas até mesmo sem preparo intelectual para responder adequadamente aos dilemas da educação.

É preciso deixar de lado as diferenças e apoiar projetos, estudos, trabalhos, artigos de profissionais qualificados e professores que dedicam sua vida ao ensino.

Não temos uma bancada da educação entre tantas outras existentes em nosso país, isso é prova da falta de representatividade da nossa classe.

Afinal de contas, quem quer ser um professor?

Renato da Costa é graduado em Administração, pós-graduado em Administração Estratégica, Mestre e Doutor em Administração, com estágio de Pesquisa e Docência na Universidad Jaume I no Sul da Espanha em 2017, Pós-Doutorando em Gestão Urbana. É membro da ACCUR-Academia de Cultura de Curitiba, membro associado da Academia Paranaense da Poesia, professor há 17 anos, escritor.