Qual é o seu consumo de bebida alcóolica, cigarros e refrigerantes; o seu peso e o tempo que reserva para atividade física e para smartphones?  Sua saúde depende disso!

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um pequeno conjunto de fatores de risco modificáveis responde pela grande maioria das mortes por doenças crônicas não transmissíveis (DCN) no mundo. Entre esses fatores, destacam-se o tabagismo, o consumo alimentar inadequado, a inatividade física e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Ou seja, são fatores evitáveis e modificáveis diretamente implicados em problemas graves de saúde como Hipertensão Arterial Sistêmica, Apneia do sono, Diabetes e Infarto Agudo do Miocárdio.

Anualmente, o Ministério da Saúde do Brasil (seguindo uma tendência mundial) realiza um monitoramento destes diversos fatores de risco através de contato telefônico com amostras da população das capitais, um programa denominado de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). A partir destes dados estatísticos, costuma-se direcionar recursos ou estratégias para uma ou outra área da saúde.

Baseado no relatório de 2018 e comparando com dados desde de 2006, tanto nacionais e da capital paranaense, separei alguns dados para sua reflexão: o tabagismo, felizmente, tem declinado nos últimos anos, com uma taxa nacional de 9,3%, mas Curitiba está entre as 3 capitais com mais fumantes (11,4%). Aqueles que praticam atividade física no tempo livre equivalente a 150 minutos de atividade moderada por semana foi de 38,1%. Mais da metade da população nacional está acima do peso – IMC ≥ 25- (55,7%), um aumento de 30,8% desde 2006. Já em relação à obesidade, entre 2006 e 2018 a porcentagem de pessoas aumentou de 11,8% para 19,8%, maior índice registrado em todo o período. Quando perguntados sobre a frequência que despendem três horas ou mais por dia do tempo livre assistindo televisão ou usando computador, tablet ou celular o índice foi de 63,3% (e pior: há uma relação inversa entre horas usadas com eletrônicos e horas de sono). Por fim, o consumo abusivo de bebidas alcoólicas (ingestão de quatro ou mais doses para mulheres, ou cinco ou mais doses para homens, em uma mesma ocasião em relação aos últimos 30 dias anteriores à data da pesquisa) foi de 17,9%.

E você tem feito a sua parte? Se a respeito da predisposição genética e hereditariedade para doenças, pouco ou nada se pode alterar, os hábitos e estilos de vida, ao contrário, são pontos modificáveis e que dependem de cada um! Eles impactam enormemente na sua qualidade de vida e, por isso, fica o alerta para você repensar hoje mesmo na sua rotina.

Dr. Fernando Mariano
Médico especialista em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono. Medicina Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas da UFPR. Fellowship em Cirurgia Plástica de Face no Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO). Titulo de Especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela Associação Médica Brasileira. Título de Especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira. Mestrado em Cirurgia pelo Hospital de Cllínicas da UFPR. Membro da International Surgical Sleep Society.