Um mar de lama

Hipérbole à parte, a leitura sobre a tragédia que assolou Mariana e agora Brumadinho, uma infeliz reincidência, deixando milhares de pessoas desabrigadas e centenas de mortas e desaparecidas, pode ser feita em diversos níveis.

Logo Minas Gerais, cuja origem remonta à extração de minérios, se tornou a vitrine brasileira do descaso, da falta de prevenção de riscos, do interesse privado prevalecendo sobre o interesse público.

Uma simples brincadeira de criança com terra e água traz ensinamentos sobre a fragilidade das obras mal feitas em todo o país: barragens ruindo, pontes e outras obras de arte caindo, prédios, inclusive históricos, incendiando… Até quando?

Sem fazer juízo de valor, como no incêndio da boate Kiss, Santa Maria, RS, e do C.T. do Flamengo, RJ, há indícios de vista grossa e panos quentes na fiscalização e aprovação das instalações fora da legislação. Infelizmente há pessoas que não fazem o seu trabalho como deveriam.

Desta feita, a mineradora Vale negligenciou até com os seus próprios funcionários, ao construir um refeitório a jusante da barragem, como se tivesse a certeza de que nada aconteceria. As pessoas é que devem ser a prioridade.

Há muitas barragens do mesmo tipo que precisam ser desativadas. É preciso utilizar os rejeitos, com engenho e arte, para outros fins. Quem sabe para tijolos ou aterro? Talvez como alicerce? Quem sabe como fonte alternativa de energia?

Este mar de lama não para por aí, sendo fruto de outros males como a corrupção que vem assolando o país. Há corruptos e corruptores que precisam logo ser enquadrados na forma da lei.

As barragens e a lama moral existentes no país precisam ser revistas. O Brasil tem jeito, começando pela renovação da mente de todos os brasileiros, começando com a mudança de atitude, pelo voto consciente, pela adoção de novas práticas políticas.

O exemplo começa em casa e se espalha pela comunidade. A palavra convence, o exemplo arrasta. Unamo-nos em torno de objetivos nacionais que realmente atendam aos anseios e aspirações do povo brasileiro.

Nestas horas aparece uma série de especialistas em tudo. Quem nunca fez uma caca na vida que atire a primeira pedra. Vamos todos juntos mudar este país.

Parodiando Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma barragem. Tinha uma barragem no meio do caminho.”

Militar da Reserva Remunerada do Exército Brasileiro, especialista em Comunicações, Mestre em Ciências Militares, bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria, extensão em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Curso Livre em Teologia pelo Instituto Teológico Quadrangular-Água Verde, membro do Centro de Estudos Brasileiros do Paraná, patriota da Liga da Defesa Nacional-Paraná, professor, colunista e palestrante.