Lugares de lembranças, tristeza, contemplação, ancestralidade e também de aprendizado. Os cemitérios municipais de Curitiba guardam memórias, marcos arquitetônicos e muitas histórias.

A cidade conta com cinco cemitérios municipais: São Francisco de Paula (Municipal), Água Verde, Boqueirão, Santa Cândida e Zona Sul. Juntos, têm cerca de 32.560 túmulos, além de 4.960 gavetas.

Prestes a completar 165 anos, o cemitério São Francisco de Paula, inaugurado em 1º de dezembro de 1854 em um terreno doado pelo padre Agostinho Machado Lima, no bairro São Francisco, abriga túmulos e mausoléus de personalidades da cidade e do estado.

“As personalidades que dão nome a muitas ruas de Curitiba estão quase todas aqui dentro”, conta a pesquisadora Clarissa Grassi, diretora do Departamento de Serviços Especiais da Prefeitura.

Ela se refere a gente como Vicente Machado, João Gualberto, Emiliano Perneta e tantos outros que também viraram nomes de ruas da cidade. Para mostrar a riqueza cultural, histórica e arquitetônica dos cemitérios mais antigos da cidade, Clarissa organiza frequentemente visita guiadas temáticas.

“Por ser o mais antigo da cidade e um equipamento do século 19, naturalmente sobrenomes mais tradicionais dominam a cena do Municipal até início do século 20”, explica Clarissa.

“Nossos mortos vivem em nossa saudade” (Helena Kolody)

Personalidades importantes da história recente também estão no Cemitério Municipal. “Chegar ao porto, da vida finda, cantando sempre, sonhando ainda” está gravado na lápide da última morada da poetisa Helena Kolody. Ela divide o túmulo com o pai, José. A ele, a filha deixou a mensagem em forma de epitáfio: “Nossos mortos vivem em nossa saudade”.

Outra ilustre paranaense que tem morada eterna no Municipal é a engenheira Enedina Alves Marques. Ela entrou para a história como a primeira mulher a se formar em engenharia civil no estado do Paraná, pela Universidade Federal do Paraná, em 1945, e também por ser a primeira engenheira negra do Brasil.

Enedina figura entre os ilustres do século passado. Seu jazigo fica ao lado do de padre Agostinho, doador do terreno do cemitério.

A dupla de música caipira Nhô Berlamino e Nhá Gabriela também descansa na paz do Municipal.

No Água Verde, campo santo da comunidade italiana

No bairro Água Verde, que tem sua história relacionada à antiga Colônia Dantas, formada em 1878 por colonos italianos, surgiu o segundo cemitério municipal da cidade. O Água Verde foi inaugurado em 27 de abril de 1888 e no mesmo dia aconteceu o primeiro sepultamento, o do senhor José Delazzari.

Até 1928 o local era administrado pela Capelania Curada do Água Verde e só então passou para o município de Curitiba. Muitos sobrenomes italianos jazem ali, alguns famosos, como o Lazzarotto do artista Poty.

Outro artista local sepultado no Água Verde é o sambista Lápis. A médica e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que morreu no terremoto do Haiti em janeiro de 2010, também tem sua última morada no Cemitério Água Verde.

Os mais recentes

Só na década de 1950 é que Curitiba passou a contar com mais dois cemitérios públicos. Um mais ao Sul, o do Boqueirão (1950), e, em 1957, um no Norte da cidade, no bairro Santa Cândida, o maior em área. O Cemitério do Santa Cândida tem 132.300 metros quadrados, com mais de 110 mil sepultados.

O mais recente cemitério municipal é o Zona Sul, no bairro Umbará, inaugurado em 2014, mas que começou a funcionar em 2018.