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quinta-feira, 22 fevereiro 2024

Depende de mim

Há um ditado antigo que diz “Quando um não quer, dois não brigam”. Você concorda? Eu também. Mas quem é esse UM? Ou melhor, quem quer ser esse um? Quem quer ser paciente, manso, pacífico? Quem quer suportar a injustiça, a violência, a intolerância? Alguém tem de ceder! Mas quem? Eu quero ser esse um; e você, também, creio eu, embora seja difícil, pois vivemos em um tempo de impaciência, de egoísmo, de arrogância. O ódio e a ganância tomam os corações, turvam as mentes e se enraízam na sociedade.

O apóstolo Paulo nos diz no livro de Romanos (Rm 12:18) “Naquilo que depender de vocês, tenham paz com todos”, então eu lhe pergunto: você tem se esforçado para promover a paz entre os homens? Tem se esforçado para não ter a última palavra em uma discussão? Tem tolerado o tempo da ignorância de muitos? Tem usado de sabedoria nos momentos de aflição e desesperança? É muito fácil responder à altura, todavia é sábio aquele que não alimenta discussões vazias; é fácil sentir-se melhor que o outro, contudo a empatia nos torna iguais; como é bom ter, ter para dividir com quem não tem. Ter razão não é motivo para se sentir superior, mas para compreender as dificuldades de alguns e saber conduzir os relacionamentos de forma harmônica, como uma orquestra afinada.

Embora haja uma enxurrada de mensagens altruístas nos “whatapps”, desejos e sentimentos diários de dias melhores no “facebook”, de “emoticons” amoráveis, o ódio político, o ódio social, o ódio conjugal, grassa na nossa tão enferma sociedade, há como uma “inflamação” social que leva a delírios febris causando um torpor mental, intelectual e psicológico no meio de nós. Não há o ceder, não há outro ponto de vista que não seja o unilateral, não há o tolerar. Parece que o se mascarar deixou cair a “máscara” da dignidade, do respeito. A distância presencial e digital deu coragem aos covardes para serem corajosos a distância. Todos se configuram juízes, e assim, julgam a todos, quando na verdade cada um deveria julgar-se a si mesmo e compreender que todos erram, não há um sequer que seja imaculado.

Digo a você: no que depender de mim, farei o possível para termos paz. E se nós dois praticarmos isso juntos, poderemos também praticar com o nosso próximo e com o próximo e com o próximo. O difícil, na verdade, é eu dar o primeiro passo e não esperar do outro o que eu posso fazer primeiro. Vamos começar?

Jarbas J Silva
Jarbas J Silva
Professor de Língua Portuguesa, especialista em Leitura e Interpretação de texto, Pastor, Escritor e compositor

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EDIÇÃO IMPRESSA Nº 114 | JANEIRO/2024

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