Comer ou beber algo gelado ou sair sem proteger a orelha no frio. Algumas pessoas acreditam que essas atitudes são o que provocam infecções de garganta e ouvido durante o inverno. Mas, as principais causas são outros problemas respiratórios comuns nesta época: as gripes e os resfriados.

Os mesmos vírus responsáveis por essas doenças também infeccionam os ouvidos ou a garganta, afirma a otorrinolaringologista do Hospital São Vicente Curitiba, Dra. Mariele Bolzan Lovato. “Os vírus do resfriado comum afetam o nariz provocando sintomas como coriza, secreção, congestão nasal e podem acometer, junto ou em separado, a garganta. Já a infecção de ouvido, a otite média, geralmente, vem associada a um quadro precedido de dois a três dias por um resfriado comum.”

A otorrinolaringologista esclarece que beber ou comer alimentos gelados podem causar dores, sim. Porém, não devido a uma infecção. “O que pode acontecer é o frio desencadear uma reação da mucosa respiratória e você ter dores e sintomas de rinite e de faringite”, relata. “Porém, para infecção é preciso ter um agente causador, ou seja, um vírus uma bactéria ou um fungo. Então, ao menos que esses alimentos estejam contaminados, nesse caso seria independente de ser quente ou frio, não tem relação”, complementa. 

Nos dias frios ainda é comum ocorrer uma contração da nossa musculatura, que pode levar a dores no ouvido. “É meio instintivo, nós contraímos a musculatura dos ombros, do pescoço ou cervical posterior e também a musculatura mastigatória. Esse reflexo dessa contratura pode causar dor no ouvido. Mas não é uma infecção, é só uma dor”, assegura Dra. Mariele Bolzan Lovato. O vento gelado é outro fator desencadeante para a dor, mas devido a uma sensibilidade térmica e não a uma inflamação.

Caso a dor de garganta ou ouvido persista sem melhora por alguns dias, provoque muito incômodo ou febre alta que não baixa, é necessário procurar um atendimento médico. Dra. Mariele observa que entre o início e o término dos sintomas de um resfriado, por exemplo, o período costuma ser de, no máximo, dez dias. Até o quinto dia existe uma piora de sintomas e depois uma melhora progressiva. “Nesse quadro, se você notar que tem uma piora a partir do quinto dia de sintomas ou uma permanência dos sintomas após o décimo dia ou até uma melhora seguida de uma piora, são momentos que precisa procurar um tratamento mais específico”, orienta.

Atitudes preventivas

Para se prevenir dessas doenças os cuidados são os mesmos que já conhecemos desde o início da pandemia: higienizar sempre as mãos, evitar aglomerações, usar máscara sempre que necessário e deixar ambientes abertos e arejados, lembrando ainda que a vacinação contra a gripe e Covid-19 também previnem as infecções de garganta e ouvido, já que os vírus costumam ser os mesmos.

Ter hábitos que ajudem a manter uma boa imunidade é outra atitude preventiva, com uma alimentação mais saudável, horas de sono necessárias para descansar e hidratação adequada. “Agora no inverno as pessoas esquecem de tomar água. Então, tem que estar sempre com uma garrafinha de água por perto”, recomenda Dra. Mariele Bolzan Lovato.