Nesta segunda-feira (2/8), é dia de comemorar os 63 anos do Mercado Municipal de Curitiba. Como presente, o município prepara uma grande revitalização da região, com direito a um boulevard com paisagismo, passeio e mesas externas e outras intervenções urbanas que fazem parte do projeto Caminhar Melhor.

Programa obrigatório para curitibanos e para quem visita a capital, o Mercado Municipal recebe, anualmente, 3,3 milhões de pessoas em busca de hortifrutigranjeiros, cereais, carnes, peixes, especiarias e pratos de todas as partes do mundo. O espaço, vinculado à Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), ocupa uma área de 16,8 mil metros quadrados e reúne 362 unidades comerciais, entre boxes e bancas, comandados por 196 comerciantes, que vendem mais de 72 mil itens.

Considerado serviço essencial, o Mercado Municipal funcionou mesmo durante os momentos mais críticos da pandemia para garantir alimentação à população da capital. O local adotou medidas para reduzir a chance de contágio da covid-19, como oferta de álcool em gel, uso obrigatório de máscara e reforço de informações sobre prevenções e cuidados.

De pai para filho

Frenquentador há vários anos do Mercado Municipal, o casal Marly Dea e Gilberto de Jesus Dea sempre sai do local com algum produto diferente para o almoço ou jantar da família. “A gente encontra variedade, qualidade e um atendimento que só os comerciantes daqui conseguem nos dar”, afirma Gilberto, que já está ensinando o filho, também Gilberto, a ser um cliente habitual. “Já é uma tradição de família todos virmos”, completa o pai.

Para a catarinense Patrícia Rocha, 54 anos, o Mercado Municipal é uma visita obrigatória para todo turista que vista Curitiba. “É sensacional. Aqui a gente encontra vários produtos diferentes e com ótima qualidade. O mais legal daqui para mim é essa variedade que representa uma diversidade cultural de Curitiba e de todo o Sul do país”, afirma a moradora de Blumenau (SC).

Pioneirismo

“São décadas de história e de vidas que se entrelaçam no Mercado Municipal, ligando frequentadores, comerciantes e trabalhadores”, destaca o secretário municipal de segurança alimentar e nutricional, Luiz Gusi. Ele lembra que, em 63 anos de existência, o espaço passou por reformas e ampliações. Ganhou o primeiro setor de orgânicos do país, referência nacional, a nova entrada da Avenida Sete de Setembro, a ampliação da praça de alimentação, as primeiras salas de manipulação de alimentos do mundo em um mercado e, já na gestão do prefeito Rafael Greca, a revitalização da fachada da rua General Carneiro.

Cleverson Schilipacke, presidente Associação dos Comerciantes Estabelecidos no Mercado Municipal de Curitiba (Ascesme), reforça que o espaço é um ponto de encontro dos curitibanos e programa obrigatório de quem vem a Curitiba. “O Mercado Municipal é um local onde reúne pessoas de várias regiões do país, não só aqui da nossa cidade, então traz muito valor para o município. “Com uma variedade muito grande de produtos, o curitibano faz questão de trazer um amigo, um parente de fora para conhecer. São vários gostos, sabores, aromas reunidos em um só local”, acrescenta ele.

Boulevard

O grande legado da gestão do prefeito Rafael Greca para o Mercado Municipal será a transformação dos passeios em entorno do local em um grande boulevard, dando prioridade aos pedestres e aos deslocamentos não motorizados. O projeto prevê a revitalização de uma área de dez quadras em torno do Mercado Municipal.

A intenção é que as pessoas utilizem o espaço público não apenas como local de passagem, mas de encontro e permanência.
O projeto contemplará a valorização do espaço público, com a melhoria da paisagem urbana, da segurança nos deslocamentos e com a criação de novas conexões cicloviárias e de favorecimento à caminhabilidade.

As intervenções fazem parte do projeto Caminhar Melhor, que conta com R$ 40 milhões para investimentos em novas calçadas e em estrutura cicloviária, com recursos do Finisa, o Programa de Financiamento para Infraestrutura e Saneamento da Caixa Econômica Federal.

O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) já concluiu o anteprojeto para a área e os projetos executivos de paisagismo, iluminação, drenagem e de pavimentação estão sendo feitos. A previsão é que os projetos de engenharia sejam concluídos no segundo semestre de 2021 e as obras iniciadas em 2022.

Cinco curiosidades sobre o Mercado Municipal de Curitiba:

  • O Mercado Municipal foi construído entre 1956 e 1958, projetado por um jovem engenheiro na época, o ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz, hoje com 91 anos. A construção foi autorizada, em 1954, pelo então prefeito do município, o ex-governador e ex-ministro Ney Braga (1917-2000).
  • A primeira sede do Mercado Municipal ficava na atual Praça Zacarias e surgiu em 1860. Naquela época, o espaço era popularmente chamado de Mercado dos Quartinhos. A segunda “casa” foi construída no Largo da Cadeia, atual Praça Generoso Marques, em 1874. Em 1914, essa sede foi demolida para dar lugar ao Paço Municipal. Então, o mercado funcionou no Batel, de 1915 a 1937, quando foi demolido. Ele ficava onde é hoje a Praça Theodoro Bayma. Só em 1943, o urbanista francês Alfred Agache apresentou o Plano Agache, que propôs a construção de um novo Mercado Municipal, na sede atual.
  • O Mercado Municipal tem entradas pelas ruas da Paz e General Carneiro e avenidas Sete de Setembro e Presidente Affonso Camargo. No total, há 17 acessos distribuídos em seus quatro lados e dois andares.
  • Os frequentadores do Mercado Municipal podem conferir pratos nos inúmeros restaurantes que são referências gastronômicas de Curitiba. O espaço da Prefeitura  já foi destaque no programa Mais Você, da Globo.
  • O Mercado Municipal conta com o primeiro Setor de Orgânicos do Brasil, inaugurado em 2009, com ampla oferta de produtos livres de agrotóxicos e aditivos químicos, além de um restaurante, um café e uma lanchonete.