Ontem mesmo conversava com a minha esposa sobre o que é eternidade, disse que para quem espera lhe parece a demora uma eternidade. Se pensarmos bem, o tempo longo ou curto depende do nosso nível de ansiedade, de medo, de paciência ou impaciência. Em ambas as situações, porém, o tempo não para! Por isso é necessário estarmos atentos ao nosso momento; onde estamos agora, no passado, no futuro, ou no presente?

No último domingo, comemoramos o dia dos pais, e isso me levou ao passado, ao tempo passado. E num breve tempo do agora rememorei a caminhada no passado, pois o meu caçula está com 22 anos. E naquele lapso de tempo, pensei sobre o que poderia ter feito e que não fiz, o que poderia aprimorar, o que poderia descartar dele no hoje. Nele, no passado, já não posso tocar, transformá-lo. O que fiz está feito. O que posso fazer agora é lapidar o meu tempo, aparar arestas, deixar mais leve a bagagem. Já não preciso correr atrás do tempo, mas caminhar com ele. Porque sempre que corro, tropeço no futuro. E é preciso aprender com o tempo. Ele projeta o filme da minha vida do passado agora em memórias. E aprendi com o tempo que é com o hoje que construo o amanhã.

Olho então para o hoje, porque o amanhã não existe. E o tempo vai, dia a dia, me levando para o amanhã inexoravelmente, tornando-o físico, próximo, denso de nós todos! Já tentei lutar bravamente com o tempo para ficar no hoje, todavia sou levado de forma caudalosa ao oceano do amanhã, visto que profundo e inescrutável. E a cada dia chegado, sinto estar mais próximo do último, e como não sei se o é, vivo o hoje apenas. Então consigo perceber que o tempo, ainda que eu queira “relogializá-lo”, “ampulhetá-lo”, ele caminha incólume pela eternidade! Não há como confrontá-lo, então me alio. E é neste momento que minha ansiedade se desvai, meu medo se esvazia, e me torno paciente. O tempo é uma grandeza escalar que não se encontra, não se prende entre dois ponteiros, mas navega nas asas de Deus!

Então entendo que não tenho tempo, tenho vida! E vivo enquanto há tempo! Mas pra viver no tempo que voa, não posso carregar muitas bagagens porque o tempo não espera e as bagagens me retardam. Assim vou deixando no passado do hoje aquilo que me impede o amanhã, assim vou chegando à “V2” na decolagem em meu caminho à eternidade, assim vou me libertando da minha velha natureza humana que me amarra a um tempo finito. O tempo não para, queira eu, ou não. Por isso navego na certeza do meu Criador, esperando agora o tempo de Deus!