Durante a prestação de contas quadrimestral na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), nesta quarta-feira (25), o secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, avaliou que 2025 foi “um ano bom, mas um ano difícil”. Ele afirmou que, ao reassumir a área na Prefeitura de Curitiba, notou um desencontro entre o custeio executado e o orçamento nos anos de 2023 e 2024, e que 2025 exigiu um “reencaixe de custeio” para corrigir esse descasamento e permitir a retomada de resultado fiscal positivo.
Somando as receitas e transferências, Curitiba registrou a entrada de R$ 14,1 bilhões em 2025, significando um aumento real de 4,98% no caixa do Município. No mesmo período, as despesas foram de R$ 13,02 bilhões, uma redução de 0,82% ante o previsto. Enquanto as despesas correntes cresceram 2,72%, atingindo R$ 11,1 bilhões, com aumento no gasto de pessoal (R$ 6,36 bi para R$ 6,67 bi), houve queda nas despesas de capital que atingiram R$ 1,03 bi, 41% abaixo do previsto.
Nesta dinâmica, o Município de Curitiba, em 2025, registrou resultado primário de R$ 330 milhões e nominal de R$ 819 milhões. A Receita Corrente Líquida (RCL) foi de R$ 12,7 bilhões, mantendo a trajetória de alta dos últimos seis anos, com uma variação real de 4,89%. A audiência pública da Secretaria de Finanças foi coordenada pela Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, sob a coordenação do presidente do colegiado, vereador Serginho do Posto (PSD). A apresentação do secretário Vitor Puppi foi transmitida ao vivo pelo canal da CMC no YouTube.

ISS e IPTU mantiveram trajetória de alta dos últimos cinco anos
No ano de 2025, Curitiba obteve R$ 6,16 bilhões em receitas tributárias, significando um aumento real de 7,86% ante o ano anterior. A maior parcela é proveniente do Imposto Sobre Serviços (ISS), que manteve a trajetória de alta dos últimos cinco anos, atingindo R$ 2,82 bilhões em 2025, uma alta de 15,1%, apesar do faturamento negativo nas atividades da saúde (R$ 13,7 bi, queda de 14%) e de “apoio técnico, administrativo, jurídico e contábil” (R$ 19,1 bi, queda de 7,6%).
Sustentaram o aumento do ISS a elevação do faturamento em construção (R$ 19 bi, aumento de 8% em relação a 2024), informática (R$ 8 bi, 2%), educação (R$ 6,7 bi, 9,8%), intermediação (R$ 5,6 bi, 3,6%), “relativos a bens de terceiros” (R$ 5,1 bi, 2,5%), setor bancário e financeiro (R$ 4 bi, 26%), “guarda, estacionamento, armazenamento e vigilância” (R$ 3,1 bi, 7,4%) e transporte de natureza municipal (R$ 1,7 bi, 1,9%).
Houve aumento na arrecadação do IPTU, de 6,83%, cuja arrecadação foi de R$ 1,65 bilhão, também numa trajetória de aumento nos últimos cinco anos. O Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) coletou R$ 651 milhões (aumento de 2,75%) e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) trouxe R$ 730 milhões (2,13%). Foi registrada uma queda de 2,53% no recolhimento de taxas e contribuições, cujo resultado, em 2025, foi de R$ 304 milhões.
O relatório da Secretaria de Finanças mostra queda nos repasses do SUS, de 5,14% acima da inflação, que em 2025 ficaram em R$ 1,65 bilhão. Houve redução também de 1% no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), com transferências de R$ 1,03 bi. Os outros repasses federais, FNDE e FPM, registraram aumento, respectivamente, de 1,68% e 5,99%, atingindo R$ 95 milhões e R$ 615 milhões. Os repasses estaduais registraram aumento real, descontada a inflação, de 1,09% no ICMS (R$ 887 milhões em 2025) e de 4,53% no IPVA (R$ 726 milhões).
Dívida consolidada é de R$ 1,7 bilhão; operações incluem BID e NDB
Ao detalhar o quadro de endividamento, Vitor Puppi apontou que a dívida consolidada do Município está em cerca de R$ 1,7 bilhão. Ele disse que a dívida líquida é bastante inferior aos limites legais (-28,4% da LRF ante um máximo de 120%), indicando que Curitiba tem “muito mais recursos” em caixa do que o total de dívidas, o que, segundo ele, caracteriza uma condição de liquidez.
Na lista de operações, o secretário citou, entre as externas, contratos com o BID (R$ 539 milhões), a Agência Francesa (R$ 342 milhões) e o NDB (Banco dos BRICS) — este com saldo de R$ 178 milhões. Entre as internas, mencionou a operação do IPMC (R$ 226 milhões), que “tem sido amortizada”, além de compromissos relacionados ao Pasep (R$ 145 milhões), e uma operação com a Caixa (R$ 281 milhões), classificando os valores como “modestos”.
Puppi criticou a dívida ligada ao Pasep ao dizer que o tributo é uma “aberração jurídica”: segundo ele, o Município é obrigado a recolher 1% das receitas para a União, apesar de o Pasep ter perdido a finalidade original e ter se tornado apenas arrecadatório. Ele também afirmou que Curitiba foi autuada porque o Pasep foi cobrado até sobre transferências da Saúde e sobre parte do transporte coletivo (tarifas que, na fala, “não são receita do Município”), o que classificou como “absurdo” e defendeu que o tributo deveria ser extinto. Ele disse que pretende usar o IRRF para compensar a dívida.
Saúde e Educação superaram mínimos constitucionais em 2025
Na parte final da prestação de contas, Puppi afirmou que Curitiba cumpriu os mínimos constitucionais de aplicação de recursos em 2025. Ele citou 21,20% em Saúde, acima do patamar mínimo de 15%, e 25,7% em Educação, acima do mínimo de 25%, concluindo que o Município “cumpriu” os índices ao longo do exercício. Ao comentar o financiamento da Saúde, o secretário observou que o Município depende do governo federal e disse que a equipe está investigando a queda nas transferências do SUS, destacando que qualquer variação sobre um volume “na casa de R$ 1,6 bilhão” tem impacto relevante para a política pública local.


