Os alunos da equipe Discovery Talents, do Colégio Estadual Padre Cláudio Morelli, em Curitiba, serão os representantes da rede estadual de ensino do Paraná no Torneio Nacional de Robótica First Lego League (FLL), que acontecerá na cidade do Rio de Janeiro de 15 a 17 de março. Eles vão se reunir a outros estudantes de 80 equipes com idades entre 9 e 16 anos de escolas públicas (das redes municipal, estadual e federal) e particulares de todo o país. A competição existe há 20 anos e no Brasil é organizada pelo Departamento Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi).

Além dos alunos do CE Padre Morelli, o Paraná será representado por outras cinco equipes, três delas de escolas municipais e duas de unidades particulares. Os 10 melhores Projetos de Pesquisa serão selecionados para a etapa internacional, que vai acontecer nos Estados Unidos e Europa.

SENHORA HOLMES – Até chegar à final do Torneio Nacional foram sete meses de trabalho que resultaram na “Senhora Holmes”, o robô desenvolvido pela turma para diagnosticar o problema proposto pela competição. O robozinho, que está em sua quarta versão, foi batizado em homenagem ao famoso personagem da literatura britânica.

O desafio era descobrir como reduzir a concentração de gás carbônico dentro de uma nave espacial. Os estudantes identificaram que o nível de gás carbônico no planeta Terra é de cerca de 0.3, em uma escala de 1 a 6, enquanto na nave espacial ele alcança quase sempre no nível 6. Para diminuir a concentração de CO2, eles elaboraram um sistema no qual o gás é transformado em oxigênio por meio da fotossíntese em um processo que envolve cianobactérias.

“O projeto teve a colaboração de especialistas que comprovaram que a pesquisa funciona na prática, ou seja, o projeto que eles desenvolveram tem um embasamento teórico que pode ser utilizado para a solução do problema na prática”, explicou o professor de robótica do colégio e coordenador do projeto, Thadeu Angelo Miqueletto.

ETAPAS – No Torneio Nacional, as equipes serão avaliadas em quatro categorias: Desafio do Robô, em que os alunos precisam construir e programar um robô para que ele, sozinho, cumpra todas as missões pré-determinadas pela competição; Design do Robô, em que serão avaliados aspectos como o número de peças de Lego utilizadas na construção e quais recursos – como sensores, motores e controladores – foram utilizados; Core Values (trabalho cooperativo em equipe) e o Projeto de Pesquisa, que na temporada 2018/2019 tem como temática “Into Orbit”. Essas etapas serão apresentadas em forma de teatro para os jurados.

“Estamos com uma boa expectativa porque o nosso projeto é inovador e fomos muito além do que é ensinado em sala de aula”, conta o estudante João Victor Silva Gomes, de 15 anos, do 2° ano do Ensino Médio.

CAMPEÕES REGIONAIS – Em março do ano passado, a equipe do colégio ficou em segundo lugar na etapa regional da competição com uma pesquisa inovadora para o uso da água. Os alunos foram desafiados a diagnosticar um problema social relacionado à água e a apresentar uma proposta como solução.

Em uma pesquisa feita pela internet, eles descobriram que a maioria dos entrevistados não tinha o hábito de limpar a caixa de água em casa. Então desenvolveram um sistema computadorizado para autolimpeza dos recipientes por meio de um aplicativo de smartphone, que também foi criado pelos alunos.

DOCTORS MACHINES – Desde 2016, aproximadamente 20 alunos dos ensino Fundamental e Médio participam duas vezes por semana, no turno complementar, de atividades de robótica que envolvem os conteúdos de Matemática, Física, Química, Arte, Inglês, Engenharia, Programação, pesquisa científica e a interação com pesquisadores. Nos períodos de competições as atividades são intensificadas e os estudantes se debruçam sobre as pesquisas diariamente.

Os alunos dispõem de um laboratório de 50 metros quadrados com computadores, internet sem fio, diversos materiais de Lego, além de equipamentos escolares, como cola, calculadora, tesoura, réguas, compasso, e de Matemática.

“A maioria dos alunos que participam desse trabalho apresentam uma transformação na autonomia e disciplina, e esse legado eles vão levar para a vida. Eles saem da escola com uma base muito boa relacionada à pesquisa porque já sabem fazer um trabalho acadêmico ou escrever um artigo fundamentado”, completou Miqueletto.

João participa há seis meses do projeto e, segundo ele, as atividades transformaram seu comportamento na escola e em casa. “Eu me sinto bem quando estou participando das atividades de robótica. Antes eu era muito disperso, depois que comecei a participar do projeto passei a interagir mais, conviver mais com outras pessoas e a conversar mais”, disse.

“A aula de robótica é uma inovação para nós porque essas atividades não fazem parte da nossa rotina escolar e esse projeto veio para abrir novos horizontes”, contou a aluna Maria Frizzo, de 16 anos, do 3° ano do Ensino Médio, que está no projeto há dois anos.

DISCOVERY BURGER – Para contribuir com a viagem à capital fluminense, os estudantes prepararam um evento para arrecadar fundos. Neste sábado (23), eles promovem, junto com as outras equipes paranaenses, o Discovery Burger, um evento com oficinas de Lego e apresentação de robôs de LED. Também serão vendidos combos com hambúrgueres caseiros, batata frita, sucos e refrigerantes.

O evento acontece no Santuário da Divina Misericórdia, na Estrada do Ganchinho, 570, no bairro Umbará, em Curiiba, das 11h às 21h. A entrada é livre.