O crítico de arte carioca José Roberto Teixeira Leite, especialista em Movimento Paranista e na obra do escultor João Turin, conheceu nesta segunda-feira (15/3) o Memorial Paranista do Parque São Lourenço. O espaço é dedicado ao movimento artístico e às obras de Turin, considerado uma referência em escultura no Brasil.

Teixeira Leite fez uma palestra exclusiva à equipe da Fundação Cultural de Curitiba e do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), com detalhes e minúcias sobre Turin, sua obra e as influências no Paranismo.

“Turin é um artista símbolo do Paraná e esse Memorial é a consagração de todo seu trabalho. Ele conseguiu fazer uma obra em que o próprio estado se reconhece, com a fauna, os bichos, o mate, o pinhão. Existiram outros ótimos artistas, mas é ele que personifica o Paraná, sendo um homem que já morreu há 72 anos, mas continua mais vivo do que nunca”, contou.

Após a conversa no Memorial, a equipe fez uma caminhada pelo museu, com início nas obras de Turin e passagem pelo Liceu das Artes e Atelier de Esculturas e Fundição. Essa foi a primeira visita do especialista ao Memorial, que foi inaugurado em 2021.

Nesta terça-feira (15/3), o prefeito Rafael Greca recebeu Leite. “Sua presença em Curitiba dignifica nossa cidade e enaltece a memória de Turin, artista ao qual dedicamos o Memorial Paranista. A visita foi acompanhada pela presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro.

Teixeira Leite é responsável por uma pesquisa sobre o movimento paranista, que está em andamento, e a visita ao Memorial também faz parte do trabalho. Ele fica em Curitiba até esta quarta-feira (16/3) e terá encontros técnicos com a equipe da Casa da Memória e do Casa Romário Martins.

O historiador nasceu no Rio de Janeiro em 1930 e é também professor, gestor cultural e pesquisador. Teixeira Leite dirigiu o Museu Nacional de Belas Artes entre 1961 e 1964 e exerceu a crítica de arte em diversos veículos da imprensa brasileira. É autor do livro João Turin: vida, obra, arte, de 2014.

Obra e vida paranaense

João Turin é um dos principais nomes do Paranismo, o movimento artístico regionalista que utiliza na arte símbolos do estado, como o pinheiro, o mate e a gralha-azul. Teixeira Leite o define como um grande escultor, artista, desenhista e também pioneiro em muitas temáticas.

O principal tema da obra do artista é o animalismo, que é usado como uma forma de poética. Turin viveu na Serra do Mar, habitat de onças, onde se inspirou para suas obras.

“João Turin conhecia os animais de perto. Acordava de madrugada para ir à mata e fazer os desenhos”, contou Teixeira Leite.

“O paranismo se vê em tudo. É como uma pequena fogueirinha que está quase morrendo e de repente volta a pegar fogo. Todos daqui são paranistas e até eu estou ficando um pouco”, brincou Teixeira.

João Turin passou uma parte da sua vida na Europa, mas retornou ao Paraná e ficou no estado até sua morte, em 1949.