Cresce o número de famílias que buscam programas sociais municipais como alternativa para equilibrar o orçamento doméstico. Os cadastros no Armazém da Família aumentaram em 73% no primeiro quadrimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2015. O número de novos cadastrou saltou de 5.981 entre janeiro e abril do ano passado para 10.350, no mesmo período deste ano.

A Secretaria Municipal do Abastecimento, que gerencia o programa de caráter social, tem registrado os aumentos ao longo dos últimos anos. De 2014 para 2015, o crescimento foi de 34%, de 11.275 cadastros para 15.111. “A grande procura pelo serviço social de abastecimento se deve à qualidade dos produtos e à economia superior a 30% em relação aos preços de mercado que o programa proporciona. São 220 itens oferecidos a cerca de 120 mil famílias que utilizam as 32 unidades curitibanas”, avalia o secretário do Abastecimento, Marcelo Munaretto.

São admitidas famílias cuja renda mensal total não ultrapasse 3,5 salários mínimos, hoje equivalentes a R$ 3.080,00. Já o valor máximo de compra é de R$ 300,00 mensais para famílias com até duas pessoas e R$ 450,00 para famílias com três pessoas ou mais. Além da lista de alimentos convencionais, em dez unidades são disponibilizadas linhas especiais para pessoas que necessitam de alimentação livres de glúten e lactose, nutrição para bebês e lactentes, entre outros.

Economia

Revertida em valores, a economia gerada pelo programa entre janeiro de 2013 e março de 2016 equivale a R$ 176 milhões. Esse seria o valor que as famílias beneficiadas gastariam a mais se as mesmas compras fossem realizadas no varejo convencional. No mesmo período, as famílias participantes do programa compraram cerca de 140 mil toneladas de produtos nos armazéns de Curitiba.

O aumento de cadastros não representou crescimento proporcional na venda de produtos. Com o acirramento da crise, o que mudou foi o comportamento de compras. “Houve um aumento na procura pelo cadastro, mas a aquisição dos produtos não cresceu na mesma proporção. Significa que os usuários do programa vão mais vezes ao Armazém, mas fazem compras menores”, explica o diretor dos Armazéns, Marcelo Zanchi.

O programa se estende ainda à população de outros oito municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), por meio de convênios entre a Prefeitura de Curitiba e as administraões vizinhas. São mais sete unidades instaladas na região, com unidades próprias em São José dos Pinhais, Almirante Tamandaré, Mandirituba, Agudos do Sul, Bocaiúva do Sul, Fazenda Rio Grande e Pinhais. Os usuários de Campo Magro utilizam os armazéns da capital.  A Curitiba cabe a execução da logística, que inclui a compra dos alimentos e a capacitação de servidores de municípios conveniados.

Recadastramento

“O ingresso de novas famílias no programa Armazém da Família é resultante da associação de medidas adotadas desde 2013. Entre maio de 2013 e maio de 2015 quase 37 mil famílias puderam ingressar no programa, graças em grande parte ao reajuste no limite de renda para cadastro, que passou a ser anual, vinculado ao salário mínimo nacional. Além disso, a atual gestão fez um recadastramento dos beneficiários do programa.

Até maio de 2013, o limite da renda familiar se manteve congelado em R$ 1.395,00, equivalentes a 2,06 salários mínimos da época (R$ 788,00), ainda que não fosse indexado ao indicador. “Antes, a ampliação do teto da renda dependia exclusivamente da decisão do gestor. Hoje, a atualização é automática todos os anos”, afirma Munaretto.

Com a publicação da Portaria 15, em maio daquele ano, a renda familiar passou a ter atualização anual e subiu para o equivalente a 3,5 salários mínimos. Além disso; antes, os cadastros tinham validade até 2.025. A partir de então, os cadastros devem ser renovados anualmente, exceto para aposentados (a cada dois anos), permitindo maior controle do uso do programa.