O título é livre para que cada torcedor interprete da sua forma e o leitor decide quem é quem na reta final desta temporada 2021.

Mais um ano sem torcidas nos estádios e com “cardápio” para todos os gostos: Campeonato Paranaense com Coritiba eliminado na primeira fase; Athletico eliminado na semifinal contra um FC Cascavel sem técnico e com apenas dois reservas; Copa do Brasil com Paraná eliminado na primeira partida, Coritiba caindo na terceira fase e Athletico, mesmo em crise técnica, na semifinal, para enfrentar o embalado Flamengo em outubro.
Com tanta fartura, ainda temos: Brasileiro das séries A, B e C, onde tínhamos cada clube numa delas; e a Copa Sul-Americana, com Athletico também nas semifinais.
Mas vamos a análise da temporada:

De primo rico a primo pobre
O Paraná, clube ostentação dos anos noventa, atravessa a pior crise técnica e financeira de sua história. Numa queda meteórica, o time da Vila Capanema vem da série A em 2019, para a série D, em 2022. Queda sacramentada no sábado (18), antes mesmo de entrar em campo, devido a vitória do São José-RS, que escapou.

O Raio X do clube é lastimável: as sedes abandonadas, dívidas com credores particulares, trabalhistas e tributárias e salários atrasados em até quatro meses, incluindo funcionários e jogadores. Ao fim de um jogo recente, o goleiro Bruno Grassi disse aos microfones, sobre atraso nos vencimentos, que “tem gente que não tem nem o que comer”, trabalhando no clube.

Uma das causas dessa temporada desastrosa, a rotatividade, que foi tão grande nessa temporada que passaram pelo time três treinadores, 51 jogadores com esse número podendo aumentar, pois ainda há atletas que não atuaram nessa temporada. Foram 28 atletas que já deixaram o Paraná até setembro e dois deles sem nem estrear.
Hora de rever, planejar e reestruturar. Nova diretoria e novo treinador já estão à frente do clube, que em 2022 deve voltar a dar ênfase na formação de atletas, fazer um bom laboratório com esses meninos no Parananense, mesclar com alguns nomes que se salvaram desse ano, como Bruno Grassi, Guarapuava, Moisés Gaúcho e Eberê, para então reiniciar a luta do acesso à série C.
Para o Paraná Clube, recomeçar é preciso.

A sensação da segundona
O ano no Alto da Glória não teve início animador, após nova queda à série B veio a troca da presidência e a mesma conversa de que o estadual era obrigação. O que se via era um time em formação e um treinador estrangeiro se adaptando ao futebol brasileiro. O cenário: véspera da última rodada da fase de classificação do Paranaense e o twitter oficial do clube anunciou as datas das quartas-de-final para o torcedor se organizar com a agenda. Veio a fatídica rodada: o Coritiba perdeu, todos os adversários fizeram milagres e o Coxa acabou em nono, eliminado antes da fase mata-mata. Um novo fiasco e o trabalho do treinador Gustavo Morínigo estava ameaçado.

Na sequência, o presidente recém-eleito, Renato Follador é diagnosticado com Covid-19 e morre por conta das complicações generalizadas. A campanha na série B ainda era oscilante, mas o treinador seguiu trabalhando sério. Primeiro consolidou sua defesa com uma forte estrutura formada por Wilson, Henrique, Luciano Castán e Willian Farias.

Tomando poucos gols, o time foi encorpando, ajustando outras peças como Natanael, Val e Robinho, além da precisão do matador Léo Gamalho, com 19 gols na temporada, sendo 12 anotados na Série B, onde é o artilheiro isolado. Passo a passo, o time subiu, chegou à liderança e vem se distanciando dos oponentes, hoje a dez pontos do quinto colocado. Hoje é o favorito ao acesso e ao título.

As chances de acesso hoje, após 24 rodadas, são superiores a 95%, de acordo com o site Chance de Gol. O número mágico do acesso, conforme o matemático Tristão Garcia, é de 64 pontos. Com 48 na tabela, são necessárias cinco vitórias e um empate em 14 partidas. O excelente desempenho e sequência dos comandados do paraguaio Morínigo, guiados pela identidade alviverde dos veteranos Wilson, Henrique, Rafinha, Robinho e Willian Farias faz a torcida crer no retorno à elite. A massa está “gamalhizada” com os gols decisivos do atacante e a força da juventude da base sendo aproveitada de maneira exemplar.
Provavelmente o Coritiba assumirá um novo papel em 2022, que seja o de mocinho e não o de bandido.

O time que só se preocupa com o superávit
Nas paragens do Água Verde, o que mais importa é o relatório financeiro, se deu ou não lucro, se vendeu bem as revelações. Um balanço anual positivo é motivo para comemorar como um novo título na Baixada. Com uma sequência de anos vitoriosos e muito lucro, o Athletico parece ter errado a mão nas contratações de 2021. Investiu pesado, mas até o momento, o retorno técnico foi baixo.

Por alguns instantes, podemos acreditar que a torcida exagera na cobrança, no lado rubro-negro. Afinal, mesmo com o pior futebol jogado, tecnicamente falando, desde que voltou para a Série A, em 2013, o Furacão está entre os quatro melhores na Copa do Brasil, competição que mais premia no país e figura também entre os quatro melhores da Copa Sul-Americana, segunda competição mais importante do continente.

Apesar de, até agora, não correr riscos de queda na série A, precisa garantir seis vitórias em 18 jogos. Parece pouco? Lembremos que nas últimas 12 partidas pelo Brasileirão 2021, o Athletico obteve apenas duas vitórias, ou seja, pode se complicar com seu próprio planejamento ou pela falta dele.

Mas o faturamento, esse promete. Santos e Abner foram mais valorizados quando faturaram as Olimpíadas, no Japão. Terans foi convocado pelo Uruguai, por conseguinte, valorizou. O Bruno Guimarães, que ainda tem um vínculo percentual com o clube, foi campeão olímpico e também valorizou, e já está figurando na seleção principal. A revelação, o atacante Vitinho, foi vendido ao futebol russo na janela de transferências internacionais.

Caros torcedores atleticanos, fiquem tranquilos, haverá o que comemorar ao fim desse ano, afinal, só na Copa do Brasil, até a fase semifinal, as premiações rubro-negras já somam 15 milhões de reais! O Athletico é favorito na Copa Superávit!

Walter Feldthaus é Eletrotécnico formado pela UTFPR, Gestor Comercial pela FAEL PR, cursou Letras na UFPR, especialista em marketing e gestão de pessoas, colunista do site furacao.com, revisor de textos e apaixonado por comportamento humano.