O espírito do amor

Embora estejamos em meio a guerras no mundo, fome, epidemias e outras mazelas humanas, há um momento na vida do homem que o seu coração amolece, que os seus olhos veem o outro como irmão, como companheiro de viagem. E é neste momento que mãos são estendidas, ombros se tornam amigos e os braços se tornam laços de ternura. Poder-se-ia dizer que ninguém é insensível o tempo todo, e todos necessitam de alguém em algum momento. Mas por que se espera este tempo para se ter um coração mais humano, mais compassivo? Há dois personagens bastante conhecidos que se despontam nesta época do ano, cujas histórias se diferem quanto às origens, quanto aos propósitos e quanto à essência. Falamos de Noel e de Jesus.

Muitas diferenças veem à tona quando colocamos lado a lado estas duas pessoas do imaginário/realidade do ser humano. A começar pela variedade e quantidade de noeis que podemos encontrar em cada esquina comercial durante os festejos natalinos. E certamente nenhum deles reside no Polo Norte (versão americana), nem mesmo na Lapônia (versão britânica). É claro que o que temos de Noel pelas lojas e ruas seria a representação do mito baseado na lenda de Nicolau, o bispo católico. Por outro lado, não veremos a representação de Jesus, senão em presépios. Porém a Sua origem é confirmada pelos historiadores como procedente de Belém, de família humilde e judaica. O primeiro, Noel, surge na noite “suposta” do nascimento do segundo, Jesus, para trazer presentes àqueles que durante o ano foram obedientes aos seus. O segundo, Jesus, nasce de acordo com a promessa de Deus que enviaria o Messias, o Libertador(Isaías 9). Ele é o presente para todos! O seu propósito é dar vida a quem O aceitar. E este presente não tem defeito, não se troca, é eterno!

Quanto à essência, Noel se perpetua em outros noeis, de carne e osso, com seus sonhos e dores, com a necessidade de alimentar suas famílias, com a promessa de uma renda extra no fim de ano, com a promessa de dar regalos aos obedientes, que esperam ansiosos o “velhinho” lhes agraciar com presentes que nem sempre “escorrerão” pela chaminé. Em contrapartida, Jesus é único, não há outro. Ninguém se coloca em Seu lugar para que alguém tenha vida, dádiva de Deus. Ninguém o substitui porque Ele vive! Ninguém preenche o Seu lugar porque Ele é divino, e nós, humanos. A essência de Cristo Jesus é espiritual, não cabe na carne. Há um abismo entre essas duas personagens natalinas que subsistem em meio à sociedade ocidental. Noel, ainda que revestido de grandeza e altruísmo, carrega em si um cunho comercial muito contundente; enquanto Jesus, na Sua essência, na Sua natureza, traz um conceito de vida abundante e esperança, condições imateriais e resolutas para o homem.

Pensando assim, podemos inferir que na primeira personagem espera-se para TER, enquanto na segunda, espera-se para SER. Embora a ocasião seja permeada de boas ações, de corações enternecidos, de troca de presentes, o verdadeiro espírito de amor ainda é aquele que padeceu por nós para que tivéssemos vida eterna! Este é o maior presente incorruptível que podíamos receber de alguém que nos ama verdadeiramente em todo tempo, o tempo todo!

Professor de Língua Portuguesa, especialista em Leitura e Interpretação de texto, Pastor, Escritor e compositor