Nesta quarta-feira (4) a Copel comemorou os 85 anos da Usina Hidrelétrica Chaminé, um dos empreendimentos de geração de energia mais antigos do Estado. Incorporada pela Copel na década de 70 junto à Companhia Força e Luz do Paraná, a usina celebra mais de oito décadas em pleno funcionamento, com 18 MW de potência instalada. Curitiba, 04/05/2016. Foto: Divulgação Copel

Nesta quarta-feira (4) a Copel comemorou os 85 anos da Usina Hidrelétrica Chaminé, um dos empreendimentos de geração de energia mais antigos do Estado. Incorporada pela Copel na década de 70 junto à Companhia Força e Luz do Paraná, a usina celebra mais de oito décadas em pleno funcionamento, com 18 MW de potência instalada.

Chaminé fica na margem esquerda do Rio São João, no município de São José dos Pinhais, em uma área de preservação permanente em meio à Serra do Mar. Para tornar possível a operação da usina, foram construídas duas barragens: a de Vossoroca, mais à montante, que deu origem a um reservatório maior, com função de acumulação; e a de Salto do Meio, com função de regulação.

Chaminé foi o primeiro grande projeto hidrelétrico do Paraná e teve papel fundamental no desenvolvimento econômico e social de Curitiba. “Mas sua importância não é apenas histórica”, afirmou o diretor-presidente da Copel, Luiz Fernando Leone Vianna, na solenidade de aniversário.

“Ainda hoje, pelo padrão de excelência imposto em sua operação e manutenção, ela continua tendo valor para o Paraná, graças à continuidade de sua geração a partir de uma fonte renovável, e tem importância redobrada para a Copel, que passou a negociar sua energia no Mercado Livre desde a recente criação de uma subsidiária de comercialização, a Copel Energia”, completou.

O diretor da Copel Geração e Transmissão, Sérgio Luiz Lamy, lembrou a relevância histórica da usina e o desafio de engenharia que representou em uma época em que Curitiba era abastecida de forma precária por usinas térmicas. “Com a segurança de seu abastecimento, Chaminé simplesmente permitiu que Curitiba crescesse, sendo ainda hoje muito importante do ponto de vista econômico e de geração de energia”, destacou.

A comemoração também contou com a presença de empregados aposentados, que ajudaram a escrever a história de Chaminé, e do prefeito de São José dos Pinhais, Luiz Carlos Setim. “Além de um ponto turístico da cidade, Chaminé é um marco da história que se preserva em benefício das novas gerações”, disse o prefeito.

HISTÓRIA – Oficialmente inaugurada em março de 1931, Chaminé tinha, à época, potência instalada de 9 MW e duas unidades geradoras. A ampliação, de 1946 e 1952, dobrou sua capacidade, incluindo mais duas unidades geradoras.

Inicialmente projetada para operar durante 50 anos, a qualidade da manutenção e um processo de modernização realizado há pouco mais de dez anos permitiram que Chaminé continuasse ativa, estendendo seu funcionamento por mais algumas décadas.

Na época da construção, Curitiba experimentava um expressivo processo de urbanização. A população reivindicava mais qualidade no serviço de iluminação pública e era estimulada a conhecer e se beneficiar das comodidades proporcionados pela energia elétrica dentro de casa.

Em 1929, numa reação à baixa qualidade dos serviços de iluminação pública na capital, o Governo do Estado do Paraná transferiu o contrato da Brazilian Railways Company Ltda. para a Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras, que organizaram a Cia. Força e Luz do Paraná, pertencente ao grupo norte-americano Electric Bond & Share Corporation. Esse grupo passou a investir na modernização do sistema de transmissão e também no aumento da capacidade instalada no Estado.

Começava a construção de Chaminé. Seu funcionamento levou à extinção da Usina Térmica do Capanema, movida à lenha e construída no final do século 19 no terreno onde hoje está a rodoviária de Curitiba. A construção durou três anos, sob comando e supervisão do engenheiro americano Howell Lewis Fry.

Para transportar pessoal, máquinas e peças até o local, de difícil acesso, foi construído um trole (vagonete sobre trilhos), ligando a vila residencial à casa de força. O trole acabou se tornando uma marca de Chaminé, por proporcionar uma viagem de 720 metros através de uma exuberante reserva de Mata Atlântica, vencendo planos praticamente verticais, com declives de até 55 graus. Operando desde 1929, o trole funciona até hoje, movimentado por motores que liberam e recolhem um cabo de aço. Esses motores operavam a vapor na época da obra. A partir 1999, o trole foi automatizado.

Na época, Curitiba, então com 80 mil habitantes, dispunha de capacidade geradora de 2,9 MW. A nova usina veio acrescentar outros 6 MW de energia para o consumo da cidade. Mais tarde, em 1973, a Força e Luz foi incorporada pela Copel, como resultado de uma campanha do governo federal pela estatização e fortalecimento das concessionárias estaduais do setor de energia. E a usina passou a fazer parte do sistema Copel oficialmente dois anos depois.

Até hoje, Chaminé se mantém ativa e engenhosa, constituindo um dos patrimônios de maior importância da Copel.