Quem é você por trás dessa máscara? Dessa dor? Desse medo? Quem foi você antes? E o que será depois? Como se sente sendo igual? Não há pobre nem rico, apenas humanos, frágeis humanos. Há escuridão e abismos. Os passos devem ser dados lentamente para que não custem a vida. A máscara protege… e sufoca! A máscara iguala e anula a beleza e a feiura, a máscara não veio para mascarar, mas sim para retirar as máscaras humanas! Quem é você de máscara? E quem será você sem máscara?

De todas as cores se expõem os rostos, os poucos saídos dos lares, trazendo seus panos que estampam os nossos medos, que escondem o pavor da morte! São panos alegres ou sóbrios que se propõem a barrar a dor, a dor da morte. São panos que se sobrepõem a todas as outras máscaras que diariamente as usamos de cara limpa. Algumas falsas, outras verdadeiras. Esta nova e inusitada máscara não nos deixa ser falsos ou verdadeiros, mas simplesmente nos confirma o que não queremos saber ser: débil, suscetível, vulnerável. E mais: ela nos afasta. Passamos de contagiantes a contagiosos. “Afasta de mim esse cálice!”. “Tão perto, tão longe!”. Não há braços que abracem, a máscara impede o toque, ela é a coisa mais verdadeira agora, e não é falsa. Não diz meias palavras… acima das máscaras, os olhos querem nos dizer algo, quase que saltam como se quisessem sentir a nossa pele no abraço negado.

Sim, sobraram os olhos. A boca agora são os olhos. O olhar se intensifica, não mente, brilha intensamente! Os olhos ri… e chora e se desdobra em palavras! Mas a máscara, em contraste com o brilho, embota o sentimento e nos traz à dura e clara realidade. Estamos nus. Somos o que somos. Embora mascarados, ainda somos todos humanos, com um olhar indefinido, porém conscientes da nossa finitude até onde o nosso olhar alcança… fomos desmascarados descaradamente? Ou estamos sendo avisados pelo Criador a não usarmos máscaras? Que sejamos autênticos uns com os outros, verdadeiros e puros? Que entendamos o quão frágil é a vida e que ela tem um preço? Que o outro é tão importante para mim quanto eu sou para ele? Que precisamos ser contagiantes, vibrantes, alegres, e não contagiosos, infectuosos, epidêmicos?

Enfim, não é o fim, contudo um novo começo, um novo olhar sem boca, mas cerebral, sendo sóbrios, equilibrados, sinceros. O que nos resta agora, mascarados, é nos vermos no passado e nos projetarmos no futuro incerto, tirarmos as escaras dos olhos e, sem “máscaras”, tomarmos o Caminho reto que o Criador tão magistralmente construiu para que nós pudéssemos voltar ao lar eterno, sem sofrimento, sem dor, sem “máscaras”!