Paçoca! Chamei o meu cão. Cão é uma palavra danada. Mas cachorro ‘também pode ser usada pejorativamente (canalha, desprezível), o que nada tem a ver com o Paçoca. Paçoca literalmente pediu para entrar em minha casa, em minha vida também, lá se vão 13 anos! Ele latia persistentemente. Talvez quisesse comida, ou água, ou amor. Era filhote ainda. Com certeza não procurava um dono, mas estava abandonado. Quem cometera tal ato? 13 anos de Paçoca. Nesse tempo, nada me pediu além de comida, água e carinho.

Envelhecido, nunca me respondeu mal! Mesmo admoestando-o severamente quando carregava o tapete da porta levando-o para o quintal, mesmo dormindo ao relento e sendo repreendido, pois tem uma “casa” pra morar! Bonachão, sempre me foi fiel. Quando eu saio, sente tristeza; quando eu volto, alegra-se latindo! E isso durante 13 anos! Satisfaz-se com a minha presença abanando o rabo porque não possui o músculo risório! Olhando para o Paçoca deitado, dormindo, calmo e já com dores da velhice, olho para mim mesmo e me repreendo. Quantas vezes reclamei do calor, do frio, da chuva, do não ter o que queria (pois sempre tive o necessário). Às vezes, nada estava bom. Todavia não eram as coisas ou as pessoas, mas eu é que não era bom o suficiente para as coisas ou pessoas que me eram dadas. Eu queria ter, e na verdade eu precisava ser.

Ser paciente, ser agradecido, ser humano, obra-prima de Deus. Eu tinha um coração frio, ingrato. Paçoca olhou para ver se eu ainda estava ali e abanou o rabo. A minha presença era sua alegria. Um coração de cachorro! Eu deveria ter um coração de cachorro! Os cachorros são felizes junto aos seus “donos”! latem de alegria, às vezes se urinam de tanta felicidade! Quantas vezes me pus de cara carrancuda porque discordaram das minhas opiniões, não agradeci porque não passava de uma obrigação (e daí?), não compartilhei a minha alegria por egoísmo, orgulho, complexo de superioridade.

Então olho para o céu e sinto que Deus nunca esteve longe de mim, sempre supriu as minhas necessidades, ouve-me na angústia. Por que, então, não me sinto alegre assim como o Paçoca? Por que não sou eternamente grato ao meu Criador? Falta-me um coração de Paçoca, um coração agradecido por ter o Criador me sustentado até aqui, prometido que nunca me deixaria (Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei“. Hebreus 13:5), isso é promessa divina!

Diferente de mim, que nem sempre estou na presença do Paçoca, Deus é eterno, sendo assim Sua presença em mim também é eterna, logo eterna a minha alegria deve ser, pois Ele nunca me abandonou e nunca me abandonará! Peço a Ti, Senhor, dá-me um novo coração, não canino, nem humano, mas divino!