O TelePaz, serviço de acolhimento emocional feito por telefone por psicólogos da Prefeitura, completa um ano nesta quarta-feira (24/3). O serviço foi implantado alguns dias depois que a cidade foi declarada em situação de emergência devido à pandemia pelo novo coronavírus, em 2020.

De lá para cá, a equipe formada por profissionais da Gerência de Psicologia e Serviço Social da Secretaria de Administração e de Gestão de Pessoal e da Secretaria da Saúde fizeram mais de 3,2 mil atendimentos por telefone (números abaixo).

“O serviço foi criado inicialmente para o acolhimento preventivo dos servidores que estivessem com sentimento de sobrecarga emocional durante a pandemia”, explica o secretário de Administração e de Gestão de Pessoal, Alexandre Jarschel de Oliveira.  “Logo depois, percebemos que seria necessário atender todos os interessados, pois o que estávamos vivendo era novo e trazia preocupação a todos. Nosso objetivo era levar conforto emocional neste momento de dificuldade”, completa.

A cada nova fase, uma queixa

As queixas manifestadas por aqueles que decidiram utilizar o serviço gratuito foram se modificando ao longo dos meses.

No início, muitos expressavam medo de contrair e de transmitir a doença. Quando começou a flexibilização das restrições sociais, as ansiedades estavam mais relacionadas aos conflitos pessoais e familiares e às inseguranças financeiras e do trabalho. Depois, veio a dor de muitas perdas.

“Hoje, percebemos um cansaço evidente de todos os grupos, mulheres e homens, profissionais de saúde ou não. Alguns jovens seguem em negação”, relata a psicóloga do Departamento de Saúde Ocupacional e coordenadora do serviço, Margareth Cristina Bolino. “Vivemos uma dor coletiva instalada há um ano”, declara.

Entre os servidores, havia a angústia causada pelo contato com o público, o desconforto e a readaptação necessária para fazer o trabalho remoto e ainda a aflição daqueles que não podiam exercer sua atividade como de costume.

Quando o serviço foi criado, não era possível saber quanto tempo duraria. “Mas não achávamos que um ano depois, estaríamos fazendo o atendimento”, declara.

O serviço começou com a participação de 15 psicólogos experientes, que eram vinculados aos ambulatórios da Secretaria Municipal da Saúde e ao Departamento de Saúde Ocupacional. Atualmente conta com cinco profissionais.

Sem pressa e sem nome

O tempo de cada atendimento varia de acordo com a necessidade de quem telefona. A média é de 20 a 25 minutos, mas houve chamadas bem mais longas.

“Nós não apressamos quem nos liga. E se a pessoa não quer se identificar, nós atendemos igualmente. Nosso objetivo é acolher, acalmar e, quando percebemos a necessidade, o profissional pode fazer novo contato para verificar se a pessoa que ligou está estabilizada”, explica Margareth. Ela ressalta que não se trata de uma intervenção terapêutica, mas de uma escuta ativa e especializada.

Quando necessário, devido ao quadro de cada um e respeitado o protocolo sanitário definido pela Secretaria da Saúde, são feitos encaminhamentos para os serviços pertinentes, seja por meio do plano de saúde dos servidores (Instituto Curitiba de Saúde – ICS), seja pela rede municipal de saúde.

Com o tempo, as abordagens durante as conversas com os que entravam em contato pedindo ajuda foram aprimoradas ao perfil de cada um. “A pressão psicológica imposta pela nova rotina de vida, pelo isolamento social e pelo medo da doença e da morte têm efeitos diversos em cada ser humano, que podem variar de momentos de ansiedade até episódios de depressão, e chegar a agravos importantes, conforme o estado de saúde mental da pessoa”, explica a psicóloga.

O que não dá para esquecer

Dentre os momentos que marcaram esses 12 meses, Margareth destaca cada uma das muitas vezes que os profissionais acolheram e tranquilizaram pessoas, no momento exato em que vivenciavam a angústia ou ansiedade diante do panorama desconhecido e incerto que a pandemia nos trouxe.

“Falamos de sofrimento extremo das pessoas diante de um cenário mundial de dor intensa. As pessoas que nos procuram nem sempre necessitam de terapêutica, mas precisam ser escutadas, ser acolhidas em seu sofrimento, compartilhar suas dores emocionais sem juízo de valor. Desse ponto de vista, tenho a convicção plena de que o TelePaz teve êxito”, conclui Margareth.

Desde junho, o TelePaz funciona todos os dias, inclusive nos fins de semana e feriados.

Serviço: Acolhimento emocional TelePaz

Telefones: 3350-8200 (para os servidores municipais de Curitiba) e 3350-8500 (para a população curitibana em geral).
Funcionamento: todos os dias, das 8 horas às 18 horas