Há uma tendência natural, é da natureza humana no geral, cuidar do quintal do seu vizinho. Olhamos a grama, a roupa no varal, o modo de viver do outro. O homem explora o espaço sideral desde 1961, porém ainda não compreende a si mesmo. Vive em eternos dilemas, sociais, intelectuais, emocionais, financeiros, psicológicos, espirituais. O quanto temos olhado para nós mesmos e observado a imensidão de preconceitos que carregamos? O oceano de dilemas pelos quais passamos? A montanha de problemas que construímos?

Sinceramente, você já parou para pensar no que você é? Não em relação ao outro, mas pense na sua essência; já pensou sobre o que você tem? Não em relação ao outro, mas nas suas possibilidades. A existência é um dom de Deus, um presente divino, e é único, não se pode viver a vida do outro, mas a sua própria vida, e se fico olhando a vida do outro, não vivo a minha; nem a do outro. Por isso a necessidade de olharmos para nós!

Assim podemos ver o que somos. Primeiro: somos passageiros de uma viagem que ao final desta vida, ao desembarcarmos, nada podemos carregar; segundo, não sabemos quando terminará a viagem, não há data no “bilhete” de viagem, apenas a data de embarque; terceiro, olhando para nós mesmos, temos uma chance de admirar a “paisagem” pelas quais passamos durante o percurso, família, amigos, irmãos.
Olhando para dentro de nós, não teremos tempo para julgar o outro, veremos também as nossas falhas e deficiências. Olhando para dentro de nós, saberemos que podemos ajudar e que também necessitamos de ajuda. Olhando para dentro de nós, perceberemos o quão grande e pequeno somos diante do Criador! Somos corpo, razão e emoção, é necessário cuidar das três áreas intrínsecas a nós; caso não o façamos, viveremos em constante desequilíbrio. O olhar para fora deve ser para melhorarmos o nosso interior, retermos o que é bom, e nunca para nos comparar superior ou inferiormente. Olhar para fora precisa de um fortalecimento interior para não sucumbir àquilo que destrói, desgasta, infesta de pragas o nosso interior. Mas como fazer isso? Meditando na minha existência, nas minhas prioridades e nas minhas reais necessidades!

Nem sempre somos o que pensamos ser, mas sim, somos o que somos. Deus nos diz que a Sua graça nos basta (2 Coríntios 12:9a), e isso significa que tudo de que precisamos será suprido pelo Criador, e que nada posso fazer para acrescentar dias à minha vida, significa também que não preciso me preocupar com o amanhã, porque é Ele quem cuida e tem controle de todas as coisas. Então olhemos para o nosso interior com mais atenção e amor para que o mundo perceba em nós a beleza e a força do ser humano criado e sustentado por Deus!