Há 35 anos, o Brasil se despedia de Amácio Mazzaropi, o ator e diretor que imortalizou seu nome em mais de 30 filmes que ainda hoje fazem sucesso. Ele viveu por 69 anos e faleceu, em 1981, vítima de câncer na medula.

Mazzaropi nasceu em São Paulo, em 9 de abril de 1912, mas foram suas temporadas na casa do avô materno, em Tremembé (interior do estado), que deram a ele o gosto pela vida no campo. Mais tarde, essa vivência seria a inspiração para a série de filmes cômicos do caipira que carrega seu sobrenome.

O ator iniciou sua carreira como ator, aos 20 anos de idade, na montagem chamada A herança do Padre. Em 1935 ele viajou com sua companhia de teatro, a Troupe Mazzoropi, em uma turnê que durou os 10 anos seguintes.

O artista estrelou o programa Rancho Alegre, que na década de 1940 ia ao ar todos os domingos na extinta Rádio Tupi. A encenação ganhou as telas da também extinta TV Tupi, em 1950.

Cinema

Em 1952, Mazaaropi iniciaria sua carreira no cinema, arte que o tornaria reconhecido e lembrando. Seu primeiro filme, Sai da Frente, foi rodado naquele ano, e três anos mais tarde ele vendeu sua casa para criar a produtora Produções Amácio Mazzaropi (PAM Filmes). A artir de então, passa a produzir, dirigir e auar em seus próprios filmes, que foram distribuídos para todo o Brasil.

Os filmes do cineasta são frequentemente exibidos na TV Brasil, e costumam registrar audiência mais alta do que o restante da programação da emissora, perdendo apenas para eventos localizados, como o desfile de 7 de setembro ou algumas transmissões do Campeonato Brasileiro. Todos eles mostram o personagem caipira vivendo situações diversas, que vão desde problemas em sua cidade até uma confusão que o leva a Bariloche. Relembre alguns deles:

No longa “A Banda das Velhas Virgens”, Mazzaropi é um caipira que tem o sugestivo nome de Gostoso. Ele é o maestro de uma hilariante banda feminina formada por senhoras idosas e beatas. Orgulho da pequena cidade, a banda é mantida pelos donativos recolhidos pela igreja.

“Meu Japão Brasileiro”: Em uma comunidade rural nipo-brasileira, Mazzaropi é um agricultor chamado Fofuca que enfrenta a exploração descarada do “seu” Leão, responsável por intermediar os negócios entre os produtores e o comércio na cidade.

Em “Jecão… Um fofoqueiro no céu”, Jecão Espinheiro se vê envolvido com problemas relacionados à sua sorte com dinheiro. Ele e o filho Martinho ganham na Loteria “Espiritiva” e vão para São Paulo para receber seu prêmio.

Em plenos anos 1970, Mazzaropi falou às multidões sobre assuntos importantes como o preconceito racial. No filme Jeca e seu filho preto, o humorista interpreta Zé, o pai de um rapaz que (misteriosamente) é negro

Seu último filme, “O Jeca e a Égua Milagrosa” mostra a história de dois fazendeiros, Libório e Afonso, que disputam votos para ganharem a eleição para a prefeitura de uma cidade pequena. Eles têm terreiros de umbanda e candomblé, utilizando os espaços para ganharem frequentadores e votos.