Quatro anos depois de anunciar o adeus às piscinas, Michael Phelps voltou a colocar mais uma medalha de ouro no peito. O fenômeno norte-americano fez parte da equipe campeã do revezamento 4x100m livre, sendo o segundo nadador a cair na piscina. O time norte-americano completou a prova em 3min09s92, à frente dos franceses, que marcaram 3min10s53. Os australianos completaram o pódio, com o tempo de 3min11s37. O quarteto brasileiro, formado por Marcelo Chierighini, Nicolas Nico, Gabriel Santos e João de Lucca teve o quinto melhor tempo, concluindo a prova em 3min13s21.

Phelps agora contabiliza 23 medalhas olímpicas, sendo 19 douradas. E, mais uma vez, ele estabelece um novo marco na natação: nunca um atleta havia conquistado medalhas em quatro diferentes edições dos Jogos Olímpicos. Phelps passou pelos pódios de Atenas (oito medalhas), Pequim (oito medalhas), Londres (seis medalhas) e estreou o do Rio de Janeiro na madrugada de segunda-feira (8), ao lado de Caeleb Dressel, Ryan Held e Nathan Adrian. Esta foi a quarta medalha do maior medalhista da história dos Jogos no revezamento 4x100m – ele havia conquistado o bronze em Atenas, o ouro em Pequim e a prata em Londres.

“É muito bom ter ganhado o meu último revezamento 4×100. Esses caras são maravilhosos, e eles estarão aqui novamente daqui a quatro anos. E sim, eu estarei fora (dos Jogos de Tóquio, em 2020)”.

O tempo de 47s12 para os 100m livre – distância em que Phelps não compete – impressionou até mesmo o lendário nadador. “Foram os 100m livres mais rápidos da minha carreira”, admite ele, que teve a terceira melhor parcial da prova, atrás dos 47s11 do francês Jeremy Stravius e dos 47s cravados do australiano Cameron McEvoy.. Coube a ele deixar os Estados Unidos na liderança: quando entrou na água, os norte-americanos apareciam em segundo lugar, atrás dos franceses. Ele entregou a prova para Ryan Held com um segundo de vantagem para a equipe da Austrália, que aparecia logo atrás naquela altura da prova. A partir daí, Held e Nathan Adrian, que fechou o revezamento, só precisaram administrar a vantagem para garantir o ouro.

Mesmo sendo um campeão tarimbado, Phelps se surpreendeu com o calor da torcida. “Foi muito louco. Eu estava no bloco enquanto Caeleb estava vindo, e honestamente, pensei que meu coração fosse explodir para fora do meu peito. Toda aquela empolgação, a torcida que vinha das arquibancadas durante a prova, não sei se já tinha visto algo parecido com isso”.

Ao ver os mais jovens do time em lágrimas durante a execução do hino norte-americano, Phelps também não se conteve. “Os caras mais novos (Held e Dressel) começaram a chorar e eu chorei também. Disse para eles que não tem problema cantar, não tem problema chorar. É bom sentir todas estas emoções mesmo sendo um dos mais experientes do time”.

Volta por cima

O maior medalhista olímpico de todos os tempos – 22 ao todo, sendo 18 ouros, duas pratas e dois bronzes – voltou às piscinas em 2014, encerrando a aposentadoria anunciada após os Jogos de Londres. O retorno, no entanto, foi marcado por “tempos sombrios”, como ele mesmo definiu: Phelps foi flagrado dirigindo alcoolizado e decidiu se afastar novamente do esporte, internando-se em uma clínica de reabilitação para tratar dos problemas com bebida e depressão.

A infração levou a Federação Americana de Natação a suspendê-lo por seis meses de competições oficiais, o que o impediu de brigar por vaga nas eliminatórias para o Mundial de Kazan. Mas Phelps recuperou a velha forma a tempo das seletivas norte-americanas e, aos 31 anos, classificou-se para três provas nos Jogos Olímpicos do Rio – desta vez, ele assegura que serão os últimos de sua carreira.

O recordista das piscinas terá pelo menos mais cinco oportunidades de ampliar seu domínio na história do esporte: nesta segunda ele tentará o tricampeonato nos 200m borboleta, na quarta nada os 200m medley e na quinta os 100m borboleta, prova em que pode ser tetracampeão. Phelps também deve ser escalado para integrar o time norte-americano para os revezamentos 4x100m medley e 4×200 livre.