O quilo de frutas e hortaliças nos Sacolões da Família – hoje em R$ 1,99 – passará a custar R$ 2,29  a partir desta terça-feira (24). O reajuste foi solicitado pelos permissionários dos 16 sacolões existentes em Curitiba devido ao grande aumento no preço desses produtos no atacado.  Mesmo com o reajuste, os consumidores que fazem compras nos sacolões continuarão tendo uma economia de 45% em relação aos preços do comércio varejista.

“O aumento do preço no atacado foi decorrente de uma sequência atípica de condições climáticas adversas, começando com um longo período de excesso de chuvas, seguido por um período de estiagem em diversas regiões produtoras de hortaliças. Isso tudo se somou ao início da estação de outono e inverno, que além da perda de lavouras existentes, também dificultou a formação dos novos cultivos, resultando em menor oferta de produtos no atacado”, explicou o diretor de Unidades do Abastecimento da Secretaria Municipal de Abastecimento, o engenheiro agrônomo Nivaldo Vasconcellos.

Os permissionários alegam que o novo patamar de preços dos produtos no atacado, muitos dos quais acima de R$1,99 o quilo, inviabiliza a manutenção do preço no varejo. Eles afirmam que em muitos casos estavam pagando para vender os produtos.

“Até agora absorvemos os aumentos, negociando preços na hora da compra, diminuindo despesas e reduzindo o quadro de funcionários. Mas agora muitos produtos acima do preço estabelecido para a pauta de referência e se tornou impossível trabalhar com tantos prejuízos”, explicou Ibiraci de Lima, do Sacolão Boa Vista e representante dos permissionários de sacolões. A pauta de referência variável é regulada pela Secretaria Municipal do Abastecimento e é composta de aproximadamente 30 itens, de acordo com as safras e época do ano.

“Estamos só cobrindo o prejuízo, sem aumento na margem de lucro”, enfatizou Éderson Fernandes, permissionário do Sacolão Boqueirão.

Economia

Apesar do reajuste, comprar nos sacolões continua representando economia de 45% em relação ao comércio varejista – acima, portanto, da meta estabelecida pela Secretaria do Abastecimento, que é garantir aos consumidores economia mínima de 40%.

O novo valor foi definido após uma reunião entre representantes dos permissionários e da Secretaria Municipal do Abastecimento, na última sexta-feira (20). A princípio, os permissionários propuseram que o preço fosse reajustado para R$ 2,59 o quilo.

Técnicos da secretaria apresentaram então uma série de índices e cálculos que indicaram o valor de R$ 2,29 como suficiente para remunerar os concessionários e manter o atual patamar de economia para os consumidores.

“Trabalhamos para equacionar os dois lados da questão. Os permissionários são empresários e precisam do reajuste para que o negócio não seja inviabilizado. Por outro lado, precisamos manter as características desse programa, que tem um forte viés social, é referência de preço e serve de regulador do mercado”, afirma o secretário municipal do Abastecimento, Marcelo Munaretto.

De acordo com os concessionários, o papel regulador do programa é comprovado pelo crescimento no número de sacolões privados que se utilizam do conceito do Sacol]ao da Família. Permissionários relataram que muitos sacolões particulares estão sendo abertos informando a prática de preço igual aos dos sacolões municipais, mas que serve apenas de “chamariz”, pois “vale apenas para alguns produtos”.