Vejo-me diante do muro. Intransponível. O que há do outro lado? Nada vejo. Isso me incomoda. Mas não posso ficar estarrecido diante de um muro, é apenas um muro! Há meios de escalá-lo? Sobrepujá-lo? Derrubá-lo? Começo a perscrutá-lo… Quem o construiu? O que faz aqui bem na minha frente? Olhando mais de perto, vejo indícios… e me consterno! Fui eu! Eu o construí, eu o elevei à minha frente! Sou eu o construtor deste impedimento que me tolhe uma vida mais calma, mais harmoniosa, mais feliz!

Há muitos propósitos para se erguer um muro. Muitas cidades bíblicas eram rodeadas por grandes muralhas com o intuito de protegê-las de invasões inimigas. Desta época, a mais conhecida é a muralha de Jericó. Não menos importante para a história e ainda de pé, temos a Grande Muralha, ou Muralha da China, datada do século VII a. C., o início da sua construção; passou por várias dinastias e perdura até hoje com seus mais de 21.000 quilômetros. Assim como as construções anteriores, porém sem a suntuosidade e imponência de ambas, foi construído em 1961 o famoso Muro de Berlim, ou “Muro da Vergonha”, denominado assim pelo seu propósito. Com seus 3,6 metros de altura e 155 quilômetros de extensão, dividiu nações, famílias e sentimentos.

Para que serve um muro? Para proteger, para separar, para isolar. No primeiro caso, Jericó, o objetivo era proteger a cidade dos ataques externos. No segundo caso, esse também era o propósito maior dos chineses. No terceiro, simplesmente dividiu-se uma nação em prol de interesses outros, que não cabe aqui o aprofundamento. Entes queridos foram isolados uns dos outros, provavelmente sonhos e projetos estagnaram-se ou se perderam por mais de 25 longos anos! Não vamos comentar sobre o muro na fronteira do México com os Estados Unidos(3.200 km) e nem o que separa Jerusalém dos territórios palestinos(760 km), e não vamos tecer comentários sobre os possíveis motivos que levaram os envolvidos a erguê-los! Vamos parar de “levantar” muros! Vamos parar de levantá-los porque já os temos construído! Já os temos nos cercando, separando-nos, isolando-nos, e muitas vezes com o objetivo de uma pseudoproteção e até mesmo de isolamento.

Olhemos para dentro de nós e observemos os muros que temos construído em nosso redor. Construímos muros de Soberba, somos melhores porque temos mais, sabemos mais, podemos mais, então construímos um muro de altivez, de orgulho, de arrogância e nos isolamos nele, protegendo-nos da simplicidade, da humildade, da modéstia. Construímos muros de Preconceito, fazemo-nos juízes do próximo, julgamos a todos diferentes de nós, somos “o padrão”, fora de nós não há referência, nem exemplo, nem parâmetro. Construímos muros de Ódio, e isolados nele, estamos prontos para destilar palavras ferinas, gerar atitudes selvagens, chacinar ideias e ideais. Construímos muros de Ingratidão, sendo murmuradores, intransigentes, férreos. Dentro dos nossos muros não vemos o que o Criador nos tem proporcionado diariamente, a começar pela própria vida, pois queremos mais do que temos.  Precisamos tombar, demolir, derrubar todos os muros que de alguma forma construímos ao nosso redor. Construímos porque herdamos dos nossos pais, porque estudamos demais ou conhecemos de menos, porque temos medos, temos raiva, temos desprezo por aquele que é diferente. Porém há uma palavra de sabedoria tirada de um fruto que podemos colocar em prática diariamente para que todos os meus e os seus muros sejam desmoronados. Mas o fruto do Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio. E contra essas coisas não existe lei”(Gálatas 5:22,23). Vamos “desmuronar”?