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quarta-feira, 24 julho 2024

Greca dá aula sobre a história do Paraná na Assembleia Legislativa

Uma aula sobre a história do Paraná, detalhando os acontecimentos históricos que forjaram a nossa gente e definiram o território paranaense marcou a sessão desta terça-feira (29/8) da Assembleia Legislativa.

O convidado especial era o prefeito Rafael Greca, que atendeu chamado da deputada Márcia Huçulak para falar sobre os 170 anos da Emancipação Política do Paraná, data comemorada hoje e que marca a entrada em vigor da Lei Imperial nº 704 de 29 de agosto de 1853, que desanexou os territórios do Paraná de São Paulo.

“Trouxemos o prefeito Rafael Greca para falar sobre a nossa identidade, das nossas tradições e costumes, daquilo nos identifica e nos define como paranaenses”, disse a deputada Márcia Huçulak.

Livro Paranismo

O prefeito entregou exemplares do livro Paranismo, lançado como parte das comemorações dos 330 anos de Curitiba. De autoria do professor e crítico de arte carioca José Roberto Teixeira Leite, a obra é a mais completa sobre o movimento cultural surgido no começo do século 20 para valorizar as raízes do Paraná.

“Entrego este livro para que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano, envie para a Biblioteca Pública do Paraná, para que lá ele possa inspirar e instruir diferentes pessoas sobre a história da nossa gente e a formação do Paraná”, disse.

História para os curitibinhas

O prefeito cumprimentou todos os deputados, além dos estudantes do 7º ano do Instituto de Educação do Paraná Erasmo Pilotto que estavam nas galerias. Depois da explanação, tirou fotos com os parlamentares e estudantes.

“Saúdo os curitibinhas que vieram trazer seu sorriso e inteligência para a festa dos 170 anos do Paraná e que venham mais vezes visitar o Centro Cívico e também o Museu Paranaense e aprender mais sobre a história do Estado”, recomendou Greca.

Minas de Paranaguá

O prefeito iniciou sua explanação citando que o povoamento do Paraná, que remonta aos idos de 1648 com a fundação da Capela de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá, começou ainda antes, como atesta o mapa das minas de Paranaguá e de Curitiba datado de 1654.

“O precioso documento pintado sobre pergaminho pertence ao acervo da Torre do Tombo de Lisboa. No ano 2000, em ato no Palácio Real D’Ajuda, residência oficial dos presidentes de Portugal, tivemos o prazer, Margarita e eu, de ver este documento pela cortesia fidalga do nosso amigo presidente Mário Soares, que o mostrou a nós, à dona Ruth e ao presidente Fernando Henrique Cardoso”, contou Greca.

Vultos históricos como Floriano Bento Vianna, Inácio Lustosa e Francisco Rocha, que dão nome de ruas importantes de Curitiba, brotaram na fala do prefeito, já que eles foram responsáveis por lançar em Paranaguá em 1811 a ideia separatista, devido à preferência do governo de então de beneficiar os paulistas.

Cruz Machado

Embalado pelos acontecimentos que deixaram marcas indeléveis na história do Brasil, como a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul e Revolução Liberal em São Paulo, sob a liderança do senador mineiro Cruz Machado, se deu a criação do Paraná. 

“Foi no dia 29 de agosto de 1853 que, politicamente, o Paraná nasceu. Esta Casa, na ocasião dos 150 anos do Paraná, em 2003, recebeu o documento original autografado por Dom Pedro II, trazido por mim desde o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro”, lembrou Greca.

O prefeito também lembrou que o imperador teve papel decisivo na definição de Curitiba como capital ao contrariar Visconde de Nácar, que queria como capital a cidade de Paranaguá, enquanto o Barão de Guarapuava, queria levar o título para cidade que dava seu nome.

“Dom Pedro II contrariou os dois viscondes e apoiou a ideia de Zacarias Góis de Vasconcelos em fixar a capital em Curitiba. Dizem que olhou na parede vistoso mapa com a cartografia e hidrologia da nova província. Olhando os rios, pronunciou o sagrado nome do Paraná. ‘Será Paraná, água grande, caudal, uma grande terra para um grande destino’”, disse o Greca.

Presenças

Além dos deputados estaduais, participaram da sessão o vice-prefeito e secretário de Estado das Cidades, Eduardo Pimentel;  os secretários municipais Luiz Fernando Jamur (Governo Municipal e Ippuc), Maria Sílvia Bacila (Educação), Cinthia Genguini (Comunicação) e Alexandre Jarschel (Administração, Gestão de Pessoal e TI). Compareceram também Juliano Schmidt Gevaerd (Saúde); Tatiana Turra (Instituto Municipal de Turismo); Ana Cristina Castro (Fundação Cultural de Curitiba); José Lupion Neto (Cohab); Eliana Vosgeral (Fundação de Ação Social); Dario Paixâo (Agência Curitiba de Desenvolvimento); Carlos Celso dos Santos Jr. (Guarda Municipal); Lucas Navarro de Souza (Assessoria de Articulação Política), Francisco de Assis (Chefia de Gabinete do Prefeito) e o vereador Mauro Bobato.

Veja a íntegra do pronunciamento do prefeito Rafael Greca na Assembleia Legislativa:
Dia do Paraná – 29 de agosto – Alep

A história é mestra da vida. Comemoramos hoje, profundamente honrados com o convite da egrégia Assembleia Legislativa do Paraná, os 170 anos da Lei Imperial número 704 de 29 de agosto de 1853, que marcou a criação da província do Paraná pelo Imperador Dom Pedro II e pela Assembleia Nacional.

O povoamento do Paraná, que remonta aos idos de 1648 com a fundação da Capela de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá, começou ainda antes, como atesta o mapa das minas de Paranaguá e de Curitiba datado de 1654.

O precioso documento pintado sobre pergaminho pertence ao acervo da Torre do Tombo de Lisboa. Tivemos o prazer, Margarita e Eu, no ano 2000, em ato no Palácio Real D’Ajuda, residência oficial dos presidentes de Portugal, de ver este documento pela cortesia fidalga do nosso amigo presidente Mário Soares, que o mostrou a nós, a Dona Ruth e ao presidente Fernando Henrique Cardoso.

O mapa das minas de “Pernaguá” e do “Arraial de Mineração de Queretiba” foi elaborado pelo cartógrafo João Teixeira Albernás, que provavelmente esteve no nosso território.

Em 1711, a coroa portuguesa comprou dos herdeiros do donatário Pero Lopes de Souza as terras da Capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá. Na ocasião, El Rey incorporou o atual território do nosso Estado à Capitania de São Paulo. Só cem anos depois, começou aqui a aspiração de separação de São Paulo.

Foi a ocasião em que Floriano Bento Vianna, Inácio Lustosa e Francisco Rocha lançaram na Paranaguá de 1811 a conjura separatista. Os motivos eram arbitrariedades e burocracia na governança, morosidade, descontentamento recrutamento com benefícios militar exclusivamente para as terras paulistas.

Em 1812, no dia 12 de março, a sede da comarca foi transferida de Paranaguá para Curitiba sob a alegação de que ficava mais próxima do registro das tropas do Rio Iguaçu, localizado no atual território do município de Fazenda Rio Grande.

Em 5 de fevereiro de 1842, ainda sob dependência paulista, pela força da Lei Provincial Número 5 de São Paulo, Curitiba deixou de ser vila e foi elevada à categoria de cidade.

Esta nova condição de Curitiba permitiu, em 1846, a criação do Liceu de Curitiba: Escola de Gramática Latina, Língua Francesa, Racional e Moral, História Geral e Filosofia do Brasil, Geografia, Geometria Prática e Noções Gerais de Mecânica. Este Liceu de Curitiba seria o embrião do Gimnásio Paranaense, hoje Colégio Estadual do Paraná.

Foram o comércio e a indústria da erva-mate que cimentaram os alicerces da emancipação política do Paraná. Aquele era o tempo em que o rico tropeiro Paula Gomes, natural dos campos de Curitiba, fazia grande propaganda da causa paranista.

Ambiente político na Assembleia Nacional no Rio de Janeiro, depois da Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul e Revolução Liberal em São Paulo, sob a liderança do senador mineiro Cruz Machado deu origem a criação do Paraná.

Foi no dia 29 de agosto de 1853 que, politicamente, o Paraná nasceu. Esta Casa, na ocasião dos 150 anos do Paraná, em 2003, recebeu o documento original autografado por Dom Pedro II, trazido por mim desde o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro.

No mesmo ano de 1853, no dia 19 de dezembro, o primeiro presidente da Província, designado pelo Imperador Dom Pedro II chegaria a Curitiba. O novo governante provincial desembarcou em Curitiba com a missão de acordar para a civilização a cidade que ainda dormia sertaneja.

O historiador Rocha Pombo, no livro “O Paraná no Centenário” escreveu: “A Curitiba de 1853 tinha entre 150 e 200 casas. As ruas não excederiam 10. (…)”.

A parte mais central da área urbana era a Praça da Matriz, hoje Tiradentes. Na vasta praça verde que ficava em frente da igreja não existia mais o pelourinho. As autoridades da vila já o tinham mandado arrancar mesmo antes da independência, segundo se crê.

As ruas principais eram: a Rua das Flores, mais tarde Rua da Imperatriz, hoje Rua XV de Novembro; a Rua da Entrada, hoje Rua Riachuelo; Rua do Fogo, hoje Rua São Francisco.

Havia ainda, a Rua do Imperador, hoje Rua Marechal Deodoro; a Rua Alegre, hoje Rua Cândido de Leão; e a Rua do Rosário, que mantém seu piedoso nome.

Rocha Pombo continua: “A população circunscrevia-se entre os rios Belém e Ivo, e ainda assim, com edificação muito rareada. Não havia nenhum edifício público. As repartições municipais funcionavam em prédios particulares. Não havia iluminação pública. Contava a paróquia com 4 igrejas, quase todas em mau estado, a começar pela que servia de matriz, no meio da praça central. Não se pode calcular em mais de 6 mil habitantes a Curitiba daquela época.”

“Dois anos depois, em 1855, Curitiba cabia em 27 quarteirões, 308 casas e mais 52 em construção, para uma população 5.819 pessoas, incluindo 47 estrangeiros.”

“Com a instalação do novo governo provincial, Zacarias de Góis e Vasconcelos conselheiro do Império, se pôs a trabalhar. Determinou a construção da estrada de rodagem da Graciosa sobre o traçado do antigo caminho. Arrendou por 5 anos, na esquina da Rua da Carioca com a Rua das Flores, o casarão de dois andares de Manuel José da Cunha Bittencourt. O governo pagou 60 mil réis pelo aluguel. As obras de adaptação foram confiadas a Laurindo Corrêa da Silva seguindo à risca as instruções do Governo Imperial. O governador comprou até a sua escrivaninha, que ainda conservamos no Museu Paranaense.”

“Para a Assembleia Provincial foi adquirido um imóvel de Manoel Gonçalves de Morais Roseira, aquele que seria depois nominado Comendador Roseira. O prédio estava inacabado. Havia carência de materiais de construção. A maioria das casas, ao invés de vidros tinha o vão das janelas vedado por gelosias – bastidores de madeira revestidos com panos de linho esticados.” 

“O primeiro ato Assembleia Provincial, a 26 de julho de 1854, foi confirmar Curitiba como capital do Paraná – pela Lei Provincial Número 1. No mesmo dia, foi promulgada a Lei Provincial Número 2, que criou a estrutura da Justiça, dividindo a nova província do Paraná em 3 comarcas: Curitiba, São José e Príncipe, então o nome da Lapa.”

“A decisão de Zacarias encontrou forte oposição. O Visconde de Nácar queria a capital em Paranaguá, a cidade mais rica da marinha. O Barão de Guarapuava preferia a cidade do seu título para promover a povoação do interior e alargar a fronteira a Oeste.”

“Dom Pedro II contrariou os dois viscondes e apoiou a ideia de Zacarias em fixar a capital em Curitiba.”
“Dizem que olhou na parede vistoso mapa com a cartografia e hidrologia da nova província. Olhando os rios, pronunciou o sagrado nome do Paraná. ‘Será Paraná, água grande, caudal, uma grande terra para um grande destino.’”

É isto que hoje celebramos. Evocando Romário Martins, Domingos do Nascimento, João Turin, Lange de Morretes, João Ghelfi, João Baptista Groff, Hermann Schiefelbein, Alfredo Andersen e tantos outros que foram os grandes construtores da cultura paranista e foram nossos.

Aos paranaenses, de origem e por opção, exalto o Manifesto Paranista e o Paraná: “Paranista é aquele que em terras do Paraná lavrou um campo, vadeou uma floresta, lançou uma ponte, construiu uma máquina, dirigiu uma fábrica, compôs uma estrofe, pintou um quadro, esculpiu uma estátua, redigiu uma lei liberal, praticou a bondade, iluminou um cérebro, evitou uma injustiça, educou um sentimento, reformou um perverso, escreveu um livro, plantou uma árvore.”

Viva o Paraná! Viva a gente do Paraná!

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EDIÇÃO IMPRESSA Nº 121 | JULHO/2024

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